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Brasil cai cinco posições no Ranking Mundial de Competitividade Digital; entenda

Para diretor da Fundação Dom Cabral, resultado revela que é preciso que o Brasil invista mais em tecnologia

O Anuário de Competitividade Digital, divulgado nesta quarta-feira (29), revelou que o Brasil está em 57° lugar no Ranking Mundial de Competitividade Digital. O país caiu cinco posições em relação à lista de 2018 e 2019. O levantamento, realizado em parceria técnica com a Fundação Dom Cabral (FDC), analisa a capacidade das economias em incorporar novas tecnologias digitais.

Para o diretor do Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da FDC, Hugo Tadeu, o resultado revela que é preciso que o Brasil invista mais em tecnologia.

“O relatório é um compilado de dados e estatísticas de diversos países. A gente compara essas informações e entende quem está bem ou não. Portanto, se o Brasil quiser ter um maior crescimento econômico, vamos ter que levar a inovação tecnológica mais a sério. Para crescermos além das commodities, precisamos investir em tecnologia”, afirma.

O relatório aponta como pontos positivos do Brasil cinco fatores: os altos gastos públicos em educação; o número de mulheres em pesquisas científicas; a produtividade de artigos científicos em relação ao montante investido; o uso de robôs na educação e na pesquisa; e o uso de serviços públicos online pela população.

Por que o Brasil caiu no ranking?

Entre os fatores que derrubam a posição do país no ranking estão: o pouco financiamento para desenvolvimento tecnológico e capital de risco; ambiente regulatório insuficiente; pouco uso de Big Data e Analytics; falta de habilidades para o Digital; e poucos Talentos.

“A queda do Brasil no ranking é fruto do crescimento dos 10 primeiros países da lista e de alguns fatores. Isso vai desde a educação básica insuficiente - os níveis de leitura e habilidades matemáticas das crianças estão aquém do esperado -, até o baixo nível de comprometimento das empresas em capacitar os funcionários para lidarem com a tecnologia. O custo de capital, ou seja, os altos gastos públicos e burocracias, também dificultam o investimento em transformação digital”, explica o diretor.

Um dos pontos mais sensíveis dos problemas brasileiros é a falta de mão-de-obra especializada. “A quantidade de profissionais e a qualidade do ensino especializado em tecnologia no país é precária. Cursos como ciência de dados, por exemplo, são tradicionais e descasados das demandas do mercado. Mas também falta gente. O Brasil tem um gap (lacuna) na formação de novos talentos”, comenta Tadeu.

Parceria público-privada

Para Hugo Tadeu, o país deve focar em estabelecer parcerias entre o poder público e a iniciativa privada para conseguir avançar no tema. "É um misto das empresas entenderem e focarem melhor na inovação, e o governo fomentar essas ações. Nos países que ocupam os primeiros lugares no ranking, o custo para inovar é baixo porque o governo oferece linhas de incentivo, o que torna o investimento mais barato”, diz.

O diretor aponta que o país deve focar em se transformar em uma nação digital o mais breve possível. “Não podemos focar em só crescer o PIB (Produto Interno Bruto), mas investir em inovação e formar talentos também. Então, ou a gente faz um plano de estado eficiente, em parceria com o mercado privado, ou teremos problemas no próximos anos”, ressalta.

Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.
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