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Ferrari apela à NASA para ‘domar’ aceleração extrema de seu carro elétrico

Marca italiana busca equilibrar desempenho e conforto no primeiro modelo movido a bateria

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Ferrari Luce
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A Ferrari contou com o apoio da NASA, a agência espacial dos Estados Unidos, no desenvolvimento do seu primeiro supercarro elétrico para lidar com os efeitos da aceleração extrema típica de modelos movidos a bateria.

Segundo o CEO da marca italiana, Benedetto Vigna, o torque imediato dos motores elétricos da Ferrari Luce pode gerar uma aceleração tão linear e intensa que chega a “perturbar o cérebro” dos ocupantes.

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Diante desse cenário, a Ferrari buscou o apoio de centros médicos e da NASA para entender quais são os limites de força G e da aceleração contínua que o corpo humano é capaz de suportar sem desconforto. A ideia é encontrar o ponto ideal entre desempenho e prazer ao dirigir, evitando que a experiência se torne excessiva ou desconectada.

Ao contrário de rivais, que priorizam números de aceleração e velocidade, a Ferrari afirma que o foco do projeto está na percepção sensorial. A marca trabalha com pilares que vão além da aceleração em linha reta e incluem fatores como comportamento em curvas, frenagem e interação do motorista com o carro.

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Outro desafio importante está relacionado ao peso das baterias, que pode comprometer a dinâmica em curvas e gerar sensação de instabilidade. Para contornar isso, a fabricante investe em redução de massa e melhor distribuição dos componentes, aproximando o comportamento do elétrico ao de seus esportivos a combustão.

Entre as soluções adotadas, o modelo terá recursos incomuns em veículos elétricos. Um exemplo são as borboletas atrás do volante, que não servirão apenas para controlar a regeneração de energia, mas também para modular a entrega de torque — simulando a sensação de trocas de marcha e reforçando o caráter esportivo.

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A Ferrari antecipou no fim de 2025 que o novo supercarro contará com quatro motores elétricos, desenvolvidos pela própria marca, que somam mais de 1.000 cv de potência total. No eixo dianteiro, serão dois propulsores com 286 cv combinados, enquanto o eixo traseiro abrigará outros dois motores capazes de gerar 843 cv. No modo Boost, a potência ultrapassará os 1.000 cv, permitindo aceleração de 0 a 100 km/h em apenas 2,5 segundos e velocidade máxima de 310 km/h.

A bateria terá 122 kWh de capacidade e será integrada ao assoalho, o que reduz o centro de gravidade em 80 mm em relação a um modelo a combustão. Com densidade energética de 195 Wh/kg, a Ferrari afirma que este é o valor mais alto entre veículos elétricos de produção. O sistema de resfriamento foi projetado para suportar carregamento ultrarrápido de até 350 kW, e a autonomia deverá ultrapassar 530 km, segundo estimativas da marca.

A Ferrari também promete uma experiência sonora diferenciada. Para compensar o silêncio natural dos motores elétricos, o carro usará um sensor no inversor, que detecta vibrações mecânicas reais do trem de força. Esses sons serão amplificados e modulados para criar o que a marca descreve como “um timbre natural e evolutivo que reflete o modo de condução” — uma tentativa de manter viva a tradição acústica da Ferrari, mesmo sem o ronco de um V8 ou V12.

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Guilherme Silva gosta do meio automotivo desde que se conhece por gente, mas começou a trabalhar no setor por acaso. São mais de 15 anos de experiência na área, com passagens por iCarros, Carsale, Webmotors, KBB e Mobiauto, além de ter colaborado com as tradicionais revistas Autoesporte, Motor Show e Quatro Rodas, produzindo matérias de diferentes temas e cobrindo eventos e salões no Brasil e no exterior.