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Aqui tem Mineiridade – Dona Geralda, a força e inspiração por trás da ASMARE

Sob sua liderança, a ASMARE tornou-se um exemplo de inclusão social e ambiental, reconhecida mundialmente pela ONU e por outras organizações

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Foto: Marina Rezende/Reciclando Sonhos • Foto: Marina Rezende/Reciclando Sonhos

Maria das Graças Marçal, carinhosamente conhecida como dona Geralda, é uma verdadeira pioneira e inspiração para muitos. Nascida em Belo Horizonte, dona Geralda veio de uma família simples, que buscava na capital mineira uma vida melhor do que a que tinham no interior. Mas foi nas ruas, cedo demais, que ela encontrou seu caminho: a coleta de papelão. Uma jornada que a levaria a fundar a Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reaproveitável (ASMARE), mudando não só sua vida, mas a de muitos outros.

Desde pequena, dona Geralda enfrentou adversidades que poderiam desanimar qualquer um. Ainda criança, começou a catar papel para ajudar no sustento da família. Essa realidade dura, porém, moldou uma mulher resiliente e determinada. Ao longo dos anos, dona Geralda não apenas trabalhou como catadora, mas também criou seus filhos e, inspirada pela necessidade de melhores condições para sua profissão, liderou a fundação da ASMARE.

A década de 1980 foi um período de virada para dona Geralda e seus colegas catadores. Eles enfrentavam não só a luta diária pela sobrevivência, mas também a desvalorização social do seu trabalho e até mesmo perseguição. Foi então que, com o apoio da Pastoral de Rua, decidiram se organizar e fundar a ASMARE. Esse movimento não foi somente uma busca por melhores condições de trabalho; representou também um passo importante na luta por reconhecimento e dignidade.

Dona Geralda se tornou uma figura central neste processo. Com sua liderança natural e determinação, assumiu responsabilidades que muitos evitavam, tornando-se porta-voz e presidente da associação. Seu compromisso com a

causa e habilidade em articular e mobilizar não apenas fortaleceu a ASMARE, mas também projetou dona Geralda a cenários onde ela pôde defender os direitos dos catadores em âmbito nacional e internacional, ganhando reconhecimento da UNESCO, e marcando presença na ONU e no Banco Mundial.

Sua visão para a ASMARE foi além do trabalho de coleta. Dona Geralda entendeu que, para muitos, a associação era um caminho para a cidadania, uma forma de reconstruir a autoestima, encontrar um trabalho digno e conseguir um lugar para morar. Sob sua liderança, a ASMARE tornou-se um exemplo de inclusão social e ambiental, reconhecida mundialmente pela ONU e por outras organizações.

Hoje, aos 74 anos, dona Geralda continua a trabalhar, deixando claro que sua paixão e dedicação à causa dos catadores e à reciclagem não diminuíram. Sua história é um poderoso lembrete do impacto que uma pessoa pode ter, transformando não só materiais recicláveis, mas também vidas. Ela reforça a crença de que o trabalho digno é um direito de todos e que a inclusão social passa pela valorização de cada profissão, não importa quão humilde possa parecer.

A jornada de dona Geralda e da ASMARE reflete um profundo amor pelo próximo e pelo planeta. Eles nos ensinam sobre a importância de ver além das aparências, reconhecendo o valor de cada pessoa e de cada ação em prol de um mundo mais justo e sustentável. Que a história de dona Geralda inspire outros a seguir em frente, a lutar por seus direitos e a transformar sonhos em realidade.

ITATIAIA AQUI TEM MINEIRIDADE. OFERECIMENTO: GERDAU. BRASILEIRA DE NASCIMENTO. MINEIRA DE CORAÇÃO.