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Mangalarga Marchador mira mercado externo e debate expansão na 43ª Exposição Nacional

Evento em BH reúne maior plantel de equinos da América Latina e lança projeto com o Ministério da Agricultura para acelerar a exportação da raça

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Mangalarga Marchador mira mercado externo e debate expansão na 43ª Exposição Nacional
Giullia Gurgel/ Itatiaia

Transformado em uma verdadeira "cidade do cavalo", o Parque da Gameleira, em Belo Horizonte, recebe até este sábado (1º) a 43ª Exposição Nacional do Mangalarga Marchador. O evento, iniciado em 18 de julho, supera metas históricas em público, público presente e volume de negócios, posicionando a raça brasileira em um momento crucial de projeção e consolidação global.

Com uma base consolidada no Brasil, onde soma 28 mil associados e um plantel de cerca de 800 mil animais, a Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM) promove, em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), uma ofensiva para ampliar a presença do animal e de sua genética no exterior.

Cavalos Mangalarga Marchador campeões • Giullia Gurgel/ Itatiaia
Cavalos Mangalarga Marchador campeões • Giullia Gurgel/ Itatiaia

A programação da exposição contou, nesta quarta-feira (29), com a Caravana do Agro Exportador – Equideocultura sem Fronteiras, iniciativa que reuniu representantes do governo federal, adidos agrícolas brasileiros, especialistas em comércio exterior e lideranças do setor para discutir protocolos sanitários, logística e abertura de novos mercados para animais vivos, sêmen e embriões.

Estratégia global com o apoio de adidos pelo mundo

À Itatiaia, o presidente da ABCCMM, Dario Colares, destacou que as vendas para fora do país ainda ocorrem de forma pontual e que a parceria com o governo federal é fundamental para estruturar embarques contínuos e com alta agregação de valor.

"O que pretendemos, através do Ministério da Agricultura, da CNA e da ApexBrasil, é fazer exportações maiores e com maior visibilidade, enviando animais que representem efetivamente a raça para fortalecer nossa imagem no exterior. O Ministério conta com 40 adidos espalhados pelo mundo que vão atuar junto às embaixadas para abrir essas portas. Eles é que vão normatizar questões sanitárias e transporte de sêmen, embriões e animais vivos, fazendo esse intercâmbio junto às embaixadas para que a gente possa avançar", explicou Colares.

Prédio da ABCCMM na 43ª Exposição Nacional • Giullia Gurgel/ Itatiaia
Prédio da ABCCMM na 43ª Exposição Nacional • Giullia Gurgel/ Itatiaia

Dario ressaltou ainda a versatilidade e rusticidade da raça brasileira frente aos desafios internacionais. "Tivemos o depoimento da presidente da Associação Alemã do Cavalo mostrando que o nosso cavalo tem ido para a Alemanha sem desgaste. Ele se adapta bem, não tem problemas com insetos e é de fácil adaptação. O desafio agora é mostrar para o mundo as virtudes da maior raça de equinos da América Latina", pontuou, lembrando que a feira na Gameleira virou uma "pequena cidade" que reflete a força econômica do setor.

Além disso, o presidente afirmou que o Mangalarga Marchador combina docilidade, rusticidade e beleza. "Hoje somos a maior raça de equinos da América Latina. O cavalo é barato de criar, acessível às famílias e muito conectado com mulheres e crianças. O esforço agora é fazer o mundo conhecer essas qualidades", completou.

Genética e tecnologia impulsionam mercado interno e externo

Para quem vive o dia a dia da criação, a expansão internacional é vista com entusiasmo, embora o mercado interno ainda ofereça grande margem de crescimento. O criador Ronaldo Tavares, proprietário do Haras Três Corações, em Ponte Nova, na Zona da Mata Mineira, atua na seleção da raça há quase 40 anos e reforça que a tecnologia será a grande aliada para transpor fronteiras.

Ronaldo Tavares, proprietário do Haras Três Corações • Ronaldo Tavares, proprietário do Haras Três Corações
Ronaldo Tavares, proprietário do Haras Três Corações • Ronaldo Tavares, proprietário do Haras Três Corações

"A exportação de animais vivos é mais cara e complexa. Mas com tecnologias como a ICSI [Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoides] e o congelamento de embriões, podemos exportar alta genética para que animais de ponta nasçam diretamente no exterior. É uma forma fantástica de expandir", avaliou Tavares à Itatiaia.

Apesar do olhar no exterior, o criador lembra que o mercado nacional ainda tem um potencial gigantesco a ser explorado além do Sudeste. "A raça está concentrada na nossa região, mas temos muito mercado para conquistar no Norte, Sul e Centro-Oeste. Temos que plantando sementes fora do país, mas sem esquecer o Brasil".

Acompanhando a evolução morfológica do Marchador ano a ano, Ronaldo Tavares deixa um recado para novos investidores: "É um excelente investimento, mas tem que encarar como um empreendimento sério. A pessoa precisa entrar com conhecimento, planejamento e investimentos bem feitos. Feito dessa forma, vale muito a pena", concluiu.

Kojak, cavalo Mangalarga Marchador campeão ABCCMM em 2026 • Giullia Gurgel/ Itatiaia
Kojak, cavalo Mangalarga Marchador campeão ABCCMM em 2026 • Giullia Gurgel/ Itatiaia

Serviço

43ª Exposição Nacional do Cavalo Mangalarga Marchador

  • Data: de 18 de julho a 1º de agosto
  • Local: Parque de Exposições da Gameleira – Belo Horizonte (MG)
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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

 

 

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