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Geleia de vitória-régia? Conheça a iguaria amazônica que brilhou na COP30

Embora a vitória-régia seja classificada como uma Planta Alimentícia Não Convencional (PANC), seu uso culinário ainda desperta curiosidade e dúvidas

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Geleia de vitória-régia? Conheça a iguaria amazônica que brilhou na COP30
projeto nasceu em 2018, quando a produtora local Dona Dulce buscou respaldo científico para as receitas • Divulgação

Uma inovação que une alta gastronomia, ciência de ponta e tecnologia digital chamou atenção durante a COP30 em 2025: a geleia de vitória-régia. Produzida pela startup paraense Deveras Amazônia, a edição limitada do produto não apenas apresentou um sabor exótico ao público global, mas serviu como um manifesto da bioeconomia regional ao transformar uma planta ornamental em um ativo tecnológico rastreável.

A iniciativa é fruto de uma parceria entre pesquisadores da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), comunidades ribeirinhas do Canal do Jari e a Avery Dennison.

Da ciência ao pote: o desafio da seca

Embora a vitória-régia seja classificada como uma Planta Alimentícia Não Convencional (PANC), seu uso culinário ainda desperta curiosidade e dúvidas sobre segurança. O projeto nasceu em 2018, quando a produtora local Dona Dulce buscou respaldo científico para as receitas que servia em seu jardim flutuante.

A validação veio após estudos sistemáticos da UFOPA, que analisaram o pecíolo (caule), sementes e flores para garantir a ausência de toxicidade e identificar compostos bioativos. O processo ganhou um componente de resiliência entre 2023 e 2024: após secas históricas que ameaçaram o cultivo, os pesquisadores e a comunidade inovaram no manejo sustentável para garantir a matéria-prima e a renda das famílias locais.

Vitória-régia é uma PANC • Divulgação
Vitória-régia é uma PANC • Divulgação

"Transformamos um recurso da sociobiodiversidade em um produto de alto valor agregado, unindo o saber tradicional ao respaldo científico", afirmou Cláudio da Silva Monteiro Júnior, sócio-fundador da Deveras, à Itatiaia.

Rótulo inteligente

Para a COP30, a embalagem tornou-se uma plataforma de storytelling. Cada pote recebeu um QR Code serializado (único para cada unidade).

Rótulo inteligente da geleia de vitória-régia da Deveras Amazônia • Divulgação
Rótulo inteligente da geleia de vitória-régia da Deveras Amazônia • Divulgação

Ao escanear o código, o consumidor acessa instantaneamente:

  • Certificação de origem: geolocalização do manejo no Canal do Jari.

  • Impacto social: a história de Dona Dulce e das famílias produtoras.

  • Segurança alimentar: dados técnicos sobre a composição nutricional.

  • Proteção de marca: autenticação por visão computacional que impede falsificações no mercado externo.

Impacto e credibilidade

O uso da tecnologia foi um divisor de águas para o posicionamento da marca frente ao público internacional e aos revendedores. De acordo com Keyse Ramalho, gerente da Avery Dennison, a solução entrega "rastreabilidade e segurança", transformando a "promessa" de sustentabilidade em comprovação técnica.

Para Valéria Mourão, empreendedora de impacto e pesquisadora, o maior ganho foi o sentimento de pertencimento. "A comunidade vê sua história compartilhada e o impacto socioambiental de cada produto", destacou.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde