Especialista em TI trocou cargo de executiva em SP pela pecuária de leite
Maria Antonieta Guazzelli é, hoje, uma das maiores produtoras do estado e se orgulha de empoderar outras mulheres

Quando assumiu a fazenda Palmital em Boa Esperança em 2002 , logo após a morte do pai, Maria Antonieta Guazzelli não tinha noção de onde poderia chegar. Com três filhos pequenos, ela conta que não havia a opção “não se adaptar ou desistir”, a despeito da sua falta de familiaridade com o segmento.
“Sempre frequentei a fazenda como turista e nunca havia me imaginado trabalhando lá. Foi como se o destino tivesse me pregado uma peça, só que uma peça do bem, ” conta ela, bem humorada. Formada em Tecnologia da Informação (TI)Antonieta trabalhava num banco, em São Paulo, e não sabia nada sobre agricultura e pecuária.
O mais difícil na transição foi a lida com os funcionários e com os processos produtivos, sem nenhum conhecimento técnico que a embasasse para poder cobrar ou elogiar. Com o tempo, o que mais a ajudou foram os ensinamentos dos próprios funcionários e, depois, os encontros com outras mulheres do setor nas edições do Congresso das Mulheres do Agro, organizado por elas próprias.
O primeiro aconteceu em 2017 quando Antonieta conheceu outras produtoras rurais, cheias de dúvidas se dariam conta, se estavam no caminho certo…”Percebi o quanto era importante, principalmente para quem estava começando, ouvir a experiência de quem já estava na estrada há mais tempo”, falou.
Mulheres na Ordenha
Em 2002, quando assumiu a gerência da fazenda Palmital, a produção de leite era de 2 mil litros/dia e um detalhe chamou sua atenção: não havia uma única funcionária, só funcionários homens. “Ao mesmo tempo, observei que a ordenha era um trabalho delicado, que não demanda força física, apenas asseio, capricho e cuidado. Então, instintivamente, comecei a procurar por mulheres que quisessem assumir a função, Encontrei muita resistência por parte delas próprias. Com muita insistência, consegui trazer uma, que era esposa de um outro funcionário da fazenda. Depois de um tempo, as outras viram que estava dando certo e quiseram vir também. Hoje, dos 86 funcionários, 22 são mulheres, a maior parte responsável pela ordenha e cuidados com os bezerros recém-nascidos.
Os 2 mil litros leite/dia viraram 40 mil/litros/dia e Antonieta ainda cultiva café e soja para fins comerciais e milho, sorgo, aveia e capim tifton para alimentação do gado. “Acho que tudo está dando certo por causa de algumas virtudes femininas como a receptividade, a humildade, a capacidade de ouvir, de começar devagar de ir sentindo os resultados e arriscar. Tenho muita gratidão por todas as mulheres que me ajudaram e continuam ajudando, todos os dias, com a força de seu trabalho”.
Antonieta disse que, depois que contratou as mulheres de seus funcionários para trabalharem na ordenha percebeu que as famílias desses tornaram-se mais harmoniosas e saudáveis. “Elas se empoderaram, contribuem com o orçamento familiar e sabem se impor e se comunicar melhor diante de qualquer conflito”.
Produtividade da Fazenda Palmital
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Leite: 40 mil litros/dia
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café 6 mil sacos/ano
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Soja 40 mil sacos/ano
Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais 'Hoje em Dia' e 'O Tempo' e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.
