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Considerado ‘unanimidade’, palmito é alternativa de produção no sul de Minas

Produtor quer difundir a cultura na região, testou o plantio sem irrigação e  planeja montar uma agroindústria no formato de cooperativa

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Palmito vai bem em saladas, tortas, pizzas e salgados
Palmito vai bem em saladas, tortas, pizzas e salgados • Divulgação Sebrae

Se tem um vegetal que é, praticamente, uma unanimidade, é o palmito. Extraído do interior das palmeiras, como a Juçara, o Açaí e a Pupunha, ele é uma delícia, tem textura macia e é altamente nutritivo. Vai bem em saladas, tortas, pizzas e como recheio de pastel ou empadas, constituindo-se como uma boa alternativa para o público vegano ou vegetariano.

O problema é que sua extração implica na morte da palmeira, colocando em risco as espécies das quais é obtido, sobretudo a Euterpe edulis (palmito juçara), a mais procurada. O palmito de pupunha, palmeira multicaule, tem sido usado como alternativa para diminuir essa ameaça.

Um produtor rural do Sul de Minas decidiu investir no segmento que pode ser uma boa alternativa para os agricultores da região que querem diversificar a produção: o cultivo da espécie pupunha. Geraldo Edilson de Paiva trabalha como gerente em uma multinacional, mas tem um sítio no município mineiro de Espírito Santo do Dourado, onde planta café.  A ideia de investir numa lavoura de palmito surgiu por sugestão de um amigo do Vale do Ribeira, na divisa de São Paulo com o Paraná,  polo de produção de palmito pupunha no país.

Vale do Ribeira foi inspiração

O plantio no sítio foi feito no início de 2020, em uma área de 1,5 hectare, com orientações de técnicos da Emater-MG. “Quero difundir a cultura aqui na região. O grande desafio foi ver como ela se desenvolveria no Sul de Minas, onde as chuvas são em períodos mais concentrados do que no Vale do Ribeira. Queria fazer um teste sobre como a cultura se comportaria nos meses mais secos do ano”, explica Geraldo.

O produtor conta que, apesar de ter um sistema de irrigação por gotejamento, ele passou 2022 sem irrigar a lavoura para fazer um teste. “Muitas pessoas na região não têm condições de ter esse recurso. Então, eu quis saber se a cultura aguentaria essa condição. E a resposta é sim. Obviamente, a colheita vai atrasar um pouco, mas é possível fazer”, garante Geraldo.

Tratos culturais simples

O engenheiro agrônomo da Emater-MG Cláudio Muassab Lima explica que os tratos culturais deste palmito são simples, já que é uma planta rústica. “É preciso fazer sempre a roçada entre as linhas de plantio e uma boa adubação de cobertura”, diz. Ele lembra que, além de resistir aos períodos mais secos do ano, a lavoura também se recuperou após ser atingida pela geada em 2021. “As plantas foram prejudicadas, mas se recuperaram bem”, lembra.

Consórcio com a bananeira

O palmito pupunha pode ser uma boa opção como plantio consorciado com bananeiras, principalmente para quem não tem muita área disponível. “A produção de banana prata no município representa uma importante atividade para a agricultura familiar. Porém, os produtores enfrentam dificuldades com a doença do mal-do-Panamá, comum nos bananais. O produtor poderia aproveitar as áreas mais ensolaradas do bananal para a inclusão do palmito e ter outra fonte de renda”, comenta o técnico da Emater, lembrando que, no primeiro ano, a pupunha também pode ser consorciada com cultivos de ciclo curto, como o feijão ou olerícolas.

Corte das hastes

O primeiro corte da haste da palmeira pode ser feito cerca de 18 meses após o plantio, se a lavoura for irrigada. Caso contrário, o técnico de Emater afirma que é preciso esperar aproximadamente 24 meses. A pupunha é uma planta que perfilha, ou seja, emite vários brotos. Com isso, a partir de planta original, é possível fazer vários cortes. “É possível ter produção praticamente durante todo o ano”, explica Cláudio.

O produtor de Espírito Santo do Dourado, por enquanto, está vendendo o palmito in natura para pastelarias, restaurantes e pizzarias da região. “As pessoas têm me dado um feedback muito legal”, disse, satisfeito.

Agroindústria está no radar

Mas ele não quer parar por aí e conta que sonha em montar uma agroindústria, caso a cultura ganhe mais adeptos na região. “Minha intenção é que as pessoas enxerguem a cultura como boa opção e possam utilizar áreas que estejam sobrando para investir numa segunda renda. Dessa forma, eu poderia trabalhar com uma indústria de envase, num modelo de cooperativa. Mas, para isso, eu preciso de volume”, explica Geraldo.

(*) Com informações da Emater-MG

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Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais 'Hoje em Dia' e 'O Tempo' e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.