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Moradores da Barreira defendem reforma de São Januário: ‘A favela vai crescer junto’

Em audiência pública, vereador Carlo Caiado (PSD) anuncia que projeto de lei sobre a reforma do estádio do Vasco será votado em junho

Em audiência pública realizada nesta terça (11), em São Januário, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro anunciou que o projeto de lei complementar que viabiliza a reforma do estádio do Vasco será votado em definitivo em junho. Foi o terceiro e último evento para debate sobre a proposta, e contou com a participação de vereadores, dirigentes do clube e representantes de moradores das comunidades do entorno, que defenderam o projeto.

“Eu estou dentro da Barreira do Vasco. Eu costumo falar favela. Eu não vim falar, “ah, minha comunidade”. Eu estou aqui para falar que a minha favela precisa de uma reforma. A minha favela vai crescer junto com São Januário”, afirmou Vânia Rodrigues, presidente da Associação de Moradores da Barreira do Vasco.

“Quando lá atrás nós tivemos que ouvir que “a favela estava prejudicando o clube”, eu tive que lutar, brigar e botar a minha cara para falar que a favela presta, sim! E assim nós conseguimos. O estádio voltou a ter seus jogos, os comerciantes voltaram a ganhar dinheiro, e eu estou novamente falando. A Barreira do Vasco é junto com o Vasco”, completou Vaninha, como é conhecida.

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O discurso de Vaninha emocionou Pedrinho, presidente associativo do Vasco e ex-jogador do clube. O dirigente lembrou do tempo que chegou para treinar no Vasco, aos seis anos, na quadra na qual foi realizada a audiência pública.

"É muito simbólico ter a última audiência pública nesta quadra. Cheguei aqui com seis anos de idade. 40 anos depois, estamos aqui com a oportunidade de ser um dos milhares de torcedores de modernização de São Januário. Eu sei o que isso vai interferir na Barreira e demais comunidades quando estiver pronto. Me emociono muito porque me lembro que o meu pai ficava ali (aponta para a arquibancada). 40 anos depois estou aqui. Triste por saber que essa quadra não vai mais existir, que o estádio emblemático vai ser modificado, mas feliz por saber que é muito melhor para cada um dos torcedores. Estou aqui por que sou um de vocês”, afirmou Pedrinho.

Os próximos passos

O vereador Carlo Caiado (PSD), presidente da Câmara Municipal, destacou o papel de São Januário para a cidade do Rio, e o impacto social da reforma para todo o entorno do estádio;

“O futebol representa muito para a economia da nossa cidade. É preciso buscar equipamentos que vão movimentar o turismo, São Januário é um estádio importante. A Câmara Municipal deu prioridade política após termos recebido o projeto enviado pelo prefeito Eduardo Paes. Já aprovamos em primeira discussão e buscamos nesta terceira audiência pública ampliar a transparência com a participação da sociedade”, disse Caiado.

Segundo o presidente da Câmara, o projeto entrará agora em fase de recebimento de emendas parlamentares, para depois ser votado.

“Aprovamos em primeira discussão, após essa audiência pública de agora vamos sentar com todos os vereadores e corpo técnico para apresentar as emendas que vão aperfeiçoar o projeto. Emendas que tratam da recepção desse potencial construtivo, como na Barra da Tijuca, de melhorias de mobilidade nessas regiões. Vamos entregar esse projeto para o prefeito sancionar o quanto antes”, explicou.

O Projeto de Lei Complementar 142/2023, a respeito da reforma de São Januário, foi aprovado em 1ª discussão na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, no último dia 6, por unanimidade.

O projeto da reforma de São Januário

O projeto institui a Operação Urbana Consorciada – OUC Estádio de São Januário, que compreende um conjunto de intervenções coordenadas pelo Poder Executivo Municipal, com a participação do clube, seus associados, como usuários permanentes, moradores do entorno e investidores privados.

Um total de 197 mil metros quadrados de potencial construtivo não utilizado no complexo de São Januário poderá ser transferido para diversas regiões da cidade, como a Barra e bairros da zona norte do Rio, respeitando as regras descritas no projeto.

O Vasco tem a intenção de iniciar as obras da reforma de São Januário em dezembro. A reforma deve durar de dois anos e meio a três anos, ampliando a capacidade do estádio, que hoje está apto a receber cerca de 20 mil torcedores, para 47 mil lugares.

Situação diferente em BH

Em Belo Horizonte, o Atlético viveu situação diferente para construção de seu estádio. O clube inaugurou, em agosto de 2023, a Arena MRV, mas conviveu com percalços para erguer sua “casa própria”.

A situação envolvendo a Arena MRV implicou em diversas cobranças de contrapartidas para liberação das obras, cujo valor estipulado era de R$ 250 milhões.

A Arena MRV esteve na pauta até de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). A intitulada “CPI do Abuso de Poder”, que apurava se as contrapartidas exigidas foram impostas pela gestão de Alexandre Kalil (PSD), ex-prefeito de BH e ex-presidente do Galo, para prejudicar o andamento das obras. O relatório final da CPI foi aprovado em julho de 2023.

O Atlético chegou a se manifestar sobre as exigências feitas pela PBH durante a gestão de Kalil, em 2022. Segundo o Atlético, as mais de 100 contrapartidas exigidas pela PBH tinham “valores exorbitantes e completamente desproporcionais em relação a qualquer outra arena erguida no Brasil”.

Para o Galo, a PBH usou “o empreendimento e seus apoiadores financeiros para que se resolvesse problemas históricos da região, como o de obras estruturantes viárias, que deveriam ter sido realizadas pelo poder executivo municipal”.

Segundo o CEO do Galo e do estádio, Bruno Muzzi, “quase 50% do valor da obra (da Arena) foi exigido em contrapartidas”.


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Jornalista e correspondente da Itatiaia no Rio de Janeiro. Apaixonado por esportes, pela arquibancada e contra torcida única.
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