Um dos líderes da oposição a Julio Casares, o conselheiro Caio Forjaz analisa que o impeachment do presidente do
Caio Forjaz é conselheiro do São Paulo desde 2024 e integrou o Conselho Fiscal do clube. Ele concedeu entrevista para a Itatiaia na semana da votação do afastamento de Casares, que acontecerá nesta sexta-feira (16).
“Pela perda da governabilidade, até mesmo para que ele (Casares) possa exercer o contraditório e a defesa desvinculado do governo. O que está sendo feito atualmente é a defesa do presidente Julio Casares como pessoa física. O São Paulo é vítima de toda essa situação, seja com a atuação dele ou não”, afirmou.
“A gente sabe que alguns diretores que estavam ao lado dele confessaram que fizeram práticas no mínimo suspeitas. Isso recai sobre ele, não tem como. Ele elegeu aqueles conselheiros e tem o dever de fiscalizá-los”, acrescentou.
Um dos idealizadores do “Movimento Salve o Tricolor Paulista”, Forjaz acredita que há apoio suficiente para aprovar o impeachment. São necessários 171 votos.
“Os conselheiros devem afastar o presidente. Para que ele tenha a possibilidade de se defender e, eventualmente, demonstrar que de fato não tem qualquer envolvimento com todas essas suspeitas, que não param de aparecer”.
“Me parece que a situação é irreversível. A tendência é o presidente ser destituído, em que pese eles estarem ingressando com ações judiciais, recursos e todas as possibilidades jurídicas para se manter no poder”, acrescentou.
Caio Forjaz, conselheiro do São Paulo
O conselheiro explicou que apoiadores deixaram a base do presidente. Além disso, Forjaz vê como fundamental a determinação da Justiça de São Paulo de garantir o voto híbrido — presencial ou online — e o quórum de dois terços de votos do grupo para consumar o impeachment.
“Espero estar certo. Uma vez que todos os partidos da coalizão mais fortes já declararam voto contra, liberando a bancada. Assim, me parece claro que o presidente será destituído e poderá se defender de forma adequada, sem fazer uso do São Paulo para sua defesa”, analisou.
“Podemos cravar que 99% das votações e reuniões do Conselho Deliberativo foram feitas pelo modelo híbrido. Não há justificativa para que fosse no modelo presencial. Estamos em mês de férias, tem muitos conselheiros viajando. Além disso, existem conselheiros idosos. Muitos não têm tantas facilidades para se deslocar até o Morumbi”, concluiu.
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Por que Casares deve ser afastado?
"É necessária a saída do presidente Casares, até mesmo para que a instituição volte a ter uma tranquilidade política administrativa, uma vez que ele perdeu totalmente a governança. Não há mais condição de permanecer, porque os próprios aliados dele debandaram. É um presidente que não tem diretoria, que não conta com o respaldo e o respeito das federações, das instituições, dos patrocinadores. É a maior crise institucional do São Paulo. A gente sabe que o impeachment é um processo político, a despeito das questões de gestão temerária. Existem muitas outras questões que impedem a continuidade do presidente, tal qual a questão dos camarotes. Foram anunciados saques, depósitos em valores que eventualmente serviriam para burlar a fiscalização do COAF, tudo isso forma um pacote de informações que acabam com a governabilidade.”
Como ex-membro do Conselho Fiscal, as finanças do clube também são um fator que pesa?
“São um pano de fundo, uma vez que o próprio Conselho Deliberativo acabou aprovando as contas do Casares durante esses anos todos. Entretanto, esse foi o motivo para que a crise fosse institucionalizada, uma vez que ele recebeu o clube com 470 milhões de dívidas e está entregando com um bilhão de dívidas. Isso se a caixa não for maior ainda. Só o próximo presidente do São Paulo terá a noção de fato do tamanho da dívida. O São Paulo infelizmente não trata suas finanças de forma adequada. Nossos conselheiros fiscais não recebem adequadamente a prestação de contos, contratos de jogadores de futebol, então a parte financeira do clube é caracterizada nos termos da lei como uma gestão temerária, mas não vai ser ela por si só que vai determinar a saída do presidente.”
Quando Casares perdeu a credibilidade?
“Seja por atos populistas que foram tomados, renovações de contratos, contratações de jogadores sem o devido lastro financeiro, seja cerceando o Conselho Fiscal de executar as suas funções de forma adequada ou até mesmo a própria postura dele com relação a críticas. A postura de só aparecer em momentos de vitória, em momentos bons, isso demonstrou desde o início que ele não estava apto ao cargo. Mas o ponto crucial me parece que foi o momento em que ele rompeu com o Belmonte, tentando emplacar um outro candidato com o objetivo talvez de se perpetuar no poder.”