A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) preparou um esquema especial de segurança para o clássico entre Cruzeiro e Atlético, no domingo (8), às 18h (de Brasília), no Mineirão, em Belo Horizonte, pela decisão do Campeonato Mineiro. O planejamento envolve diversas unidades do Comando de Missões Especiais e inclui reforço no policiamento interno do estádio, controle de acessos, definição de rotas específicas para cada torcida, uso de drones, câmeras de reconhecimento facial e fechamento da Avenida Rei Pelé com tapumes.
“O torcedor não vai conseguir fazer a volta no estádio. Teremos um bloqueio na Avenida Rei Pelé, com tapumes, sendo que o torcedor não vai conseguir passar nem pelo seu veículo e nem a pé", destacou o coronel Henrique Garcia, comando do Batalhão de Eventos, durante coletiva de imprensa na manhã desta sexta-feira (6).
A PM não divulga o número de militares na operação. Dessa maneira, atleticanos terão acesso ao Mineirão somente pela Avenida Antônio Carlos, enquanto cruzeirenses pela Avenida Carlos Luz- Catalão.
Força máxima
O comandante do Batalhão de Polícia de Choque, tenente-coronel Henrique Nunes, explicou que a principal novidade é o retorno do clássico com divisão de torcidas no Mineirão, após um período em que as partidas ocorreram com presença majoritária de apenas um dos lados.
“O setor Norte (Av. Antônio Carlos) vai ficar com os atleticanos e o setor Sul com os cruzeirenses. Então, setor Amarelo exclusivamente cruzeirense, setor Laranja exclusivamente atleticano. Já os setores Vermelho e Roxo vão ser divididos ao meio, metade para cruzeirenses e metade para atleticanos”, apontou Nunes.
A PM também informou que utilizará recursos tecnológicos para monitorar a movimentação dos torcedores no entorno do estádio. “Estaremos também com a nossa plataforma de observação elevada, inclusive com câmeras com reconhecimento facial. Estaremos também com a ajuda tecnológica dos drones. Então, teremos drones sobrevoando no perímetro imediato, justamente para acompanhar e monitorar os torcedores”, reforçou Garcia.
Escolta das delegações
A Rotam será responsável pela escolta das delegações e pelo reforço no entorno do estádio. Já o Canil e a Cavalaria atuarão tanto na área interna quanto externa do Mineirão, incluindo pontos de acesso e áreas de circulação entre torcidas.
O Batalhão de Choque ficará responsável pelo policiamento interno do estádio, com atuação nos portões de entrada, setores de arquibancadas, bares e demais áreas de circulação do público.
Preocupação
O comandante destacou que a principal preocupação da polícia está na mudança de dinâmica do público no Mineirão.
“No passado, tivemos cinco jogos entre Cruzeiro e Atlético e não tivemos grandes problemas. A preocupação maior hoje é a falta de costume do torcedor atleticano de voltar ao Mineirão em um jogo grande como Cruzeiro e Atlético”, explicou o tenente-coronel.
Rotas específicas
A PM definiu rotas específicas de chegada para cada torcida, com o objetivo de evitar encontros entre grupos rivais nos acessos ao estádio.
De acordo com o planejamento, torcedores do Cruzeiro deverão chegar preferencialmente pelas avenidas Carlos Luz e Catalão, enquanto os atleticanos serão direcionados pela Avenida Antônio Carlos.
A polícia pede atenção especial dos torcedores em relação aos aplicativos de navegação com os endereços indicados para evitar deslocamentos equivocados que possam gerar conflitos. Ou seja, se o app de navegação indicar a Antônio Carlos como melhor rota para um torcedor do Cruzeiro, ele não terá acesso ao setor destinado à torcida celeste. A mesma situação vale para o atleticano.
“Nos jogos com times de fora, o cruzeirense pode chegar por várias vias. Dessa vez não. Cada torcida terá rotas específicas, e essa é uma preocupação nossa”, disse o Nunes.
Conversa com organizadas
A PM também realizou reuniões com representantes das torcidas organizadas antes da partida. Segundo Nunes, mais de 30 grupos estão catalogados e participaram do encontro. “A gente fez uma reunião no Batalhão de Choque com todas as torcidas organizadas para falar sobre a conduta durante o evento e evitar confusões ou brigas”, afirmou.
De acordo com a PM, o comportamento das torcidas será um fator determinante para a continuidade do modelo com divisão de público nos clássicos.
“Se o comportamento for adequado, a tendência é manter o modelo meio a meio. Caso contrário, o parecer da polícia pode ser pela redução ou mudança no formato de presença das torcidas”, explicou o tenente-coronel.