A Copa do Mundo de 1990 ficou conhecida como a Copa das “Noites Mágicas”, muito por conta das surpreendentes e fascinantes atuações naquele verão italiano de um, até então, pouco badalado atacante: Salvatore Schillaci, o Totò Schillaci.
Reserva no início do torneio, pouco conhecido fora da Itália e até contestado antes da convocação, ele saiu do banco para se tornar artilheiro da Copa do Mundo, com seis gols.
Até hoje, é o único jogador da história a começar um Mundial como reserva e terminar como goleador máximo do certame.
Das divisões inferiores ao sonho da Azzurra
Nascido em Palermo, na Sicília, Schillaci cresceu em um bairro humilde e deixou a escola ainda jovem. No início da carreira, chegou a receber cerca de um dólar e noventa por gol marcado.
Passou sete temporadas discretas pelo Messina - ITA. Na temporada 1984/85, foi responsável por apenas quatro gols na Terceira Divisão Italiana.
Na primeira temporada na Série B, fez três em 33 jogos, desempenho não muito animador e que não induziria qualquer torcedor a pensar que aquele poderia se tornar um herói nacional.
O atacante somente estreou na elite do futebol italiano em 1989, já aos 24 anos, quando foi contratado pela Juventus.
Três meses e meio antes da Copa de 1990, ele nunca havia jogado pela seleção. Ainda assim, o técnico Azeglio Vicini o incluiu na lista final da Itália, mas nem ele acreditava.
“Fiquei honrado só de estar na Copa. Não esperava nem jogar”, disse o atacante, depois da Copa.
A convocação surpreendente e o gol inesperado
Schillaci era o sexto atacante da seleção. Na estreia contra a Áustria, começou no banco. A Itália pressionava, mas o placar insistia em 0 a 0.
No time titular, Andrea Carnevale e Gianluca Vialli eram os preferidos; no banco, Roberto Baggio (maior artilheiro da história da Itália em Copas), Roberto Mancini e Aldo Serena eram opções mais factíveis para o momento, porém não.
Vicini não chamou nenhum dos nomes supracitados, chamou Schillaci.
Toto não decepcionou: entrou e três minutos depois cabeceou para o gol, de forma a garantir a vitória dos anfitriões por 1 a 0. Nascia ali o herói improvável, responsável pelas “Noites Mágicas”.
Os gols que incendiaram a Itália
Dali em diante, depois do gol decisivo contra a Áustria, Schillaci ganhou espaço.
Marcou contra a Tchecoslováquia, abriu o placar diante do Uruguai nas oitavas, fez o único gol contra a Irlanda nas quartas e voltou a marcar na semifinal contra a Argentina de Maradona.
A Itália acabou eliminada para a Albiceleste nos pênaltis em Nápoles, mas a história do artilheiro inusitado ainda não tinha terminado.
Na disputa pelo terceiro lugar contra a Inglaterra, ele sofreu o pênalti que decidiu a partida. Baggio abriu mão da cobrança e Schillaci balançou as redes pela sexta vez no torneio.
Artilheiro da Copa, terceiro colocado com a Itália e um recorde que jamais foi repetido.
De herói nacional a ícone eterno
O sucesso na Copa levou Schillaci ao segundo lugar na Bola de Ouro de 1990, atrás apenas de Lothar Matthäus, campeão mundial com a Alemanha. Mas o auge, contudo, foi breve.
Após a Copa, passou ainda pela Inter de Milão - ITA, depois seguiu para o Japão, onde viveu boa fase no Júbilo Iwata. Encerrou a carreira em 1998.
A trajetória do atleta na seleção italiana se resume àquele Mundial. Uma participação, com seis gols em sete jogos.
A despedida precoce
Em 2022, Schillaci foi diagnosticado com câncer de cólon. Em setembro de 2024, faleceu aos 59 anos.
A Itália perdeu um de seus personagens mais improváveis, mas as “Noites Mágicas” da Copa de 1990 seguirão eternas, por conta de um atacante que saiu do banco sem grandes esperanças e terminou como artilheiro do mundo.