Ex-presidente do Cruzeiro entre 2020 e 2023, Sérgio Santos Rodrigues afirmou, nesta sexta-feira (14), que ele e o clube não são alvo de investigação da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) acerca de um contrato de mútuo realizado em 2021 com o empresário William Barile Agati, então agente do atacante Diogo Vitor.
Reportagem da revista Piauí, de quinta-feira (13), aponta que a operação financeira feita por Agati com o clube levantou suspeita de “lavagem de dinheiro” da PF e do MPF.
Citado na reportagem da Piauí, uma vez que era o presidente do Cruzeiro à época, Sérgio Santos Rodrigues apontou que Agati fez um empréstimo ao clube de R$ 5 milhões, por meio de um contrato de mútuo. Nos meses seguintes, o clube quitou a dívida, sendo parte no mandato de Sérgio na associação e parte na gestão de Ronaldo Nazário na Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
O contrato de mútuo é um acordo formal de empréstimo em que o mutuante transfere um bem fungível, geralmente dinheiro, ao mutuário, que se compromete a restituí-lo no prazo acordado.
“Havia uma manchete (na revista Piauí) envolvendo o Cruzeiro e a mim num caso que não tem nada a ver. A investigação que existe é contra um empresário, e esse empresário tem os problemas dele, pro lado de lá, que a gente nem sabe o que que é. No meio disso, identificou que esse empresário fez um depósito na conta do Cruzeiro. Só que, até me impressiona, pela inteligência que existe na Polícia Federal, não buscarem lastro disso. Esse dinheiro entrou no Cruzeiro por um contrato de mútuo, assim como vários outros empresários fizeram durante a gestão. Ele emprestou R$ 5 milhões e recebeu isso de volta. Inclusive, foi quitado tudo na gestão do Ronaldo”, posicionou-se Sérgio Santos Rodrigues à Itatiaia.
Sérgio Santos Rodrigues informou que “William (Barile Agati) chegou ao Cruzeiro por meio de amigos em comum tentando uma oportunidade para o atacante Diogo Vitor, a quem agenciava”.
Revelado pelo Santos e com passagem apagada pelo Corinthians, o atleta foi incorporado ao elenco do Cruzeiro em 2021, mas não atuou com a camisa do clube e logo foi dispensado pela SAF.
“Sabendo da nossa situação (financeira ruim do clube), ele (Agati) ofereceu um dinheiro emprestado a juros para ajudar e pediu essa chance (ao jogador). Aceitamos, fizemos o contrato que foi devidamente assinado e registrado em balanço”, disse.
Sérgio Santos Rodrigues apresentou uma versão do balancete do Cruzeiro, do exercício 2022, que registra o empréstimo de R$ 5.070.000,00 feito por Agati ao clube.
“Ele emprestou 5 milhões a 0,8% (de juros) ao mês. Recebeu uma parte na nossa gestão e a gestão do Ronaldo pagou o resto. Essa situação era plenamente conhecida por todos lá, inclusive pela equipe do Ronaldo quando comprou o Cruzeiro, tanto que eles quitaram o contrato”, acrescentou Sérgio Rodrigues.
“Todos os documentos foram disponibilizados, não só para a Revista Piauí, mas para qualquer veículo de mídia que pediu. Então, é uma história que não comporta tanta discussão, pois está tudo lastreado em documento da operação financeira. Então, a gente fica muito triste, quando saem essas divulgações, colocando a gente, pessoa física, e uma instituição séria como o Cruzeiro, uma coisa que não tem nada a ver. Vamos na Justiça buscar reparação contra eles, e esperamos que todos entendam”, completou.
O que dizem o MPF e a PF?
Consultado pela Itatiaia, o Ministério Público Federal emitiu uma nota e informou que a investigação corre em segredo de Justiça.
“Esse caso corre na Justiça Federal em Curitiba e a Procuradoria da República responsável é a PR-Paraná, no entanto já tivemos notícia que o caso segue sob sigilo, então não é possível acessá-lo para esclarecimentos”, informou o MPF.
Por sua vez, a Polícia Federal informou que “não se manifesta sobre eventuais investigações em andamento”.
A história do atacante Diogo Vitor
Revelado pelo Santos, Diogo Vitor era uma grande promessa da Vila Belmiro, mas não cumpriu as expectativas.
A trajetória do jogador foi atrapalhada por problemas extracampo. Em 2018, o atacante foi flagrado no exame antidoping por uso de cocaína e recebeu uma punição de 18 meses.
Depois de cumprir a sanção, Diogo recebeu outras oportunidades, inclusive no Corinthians, e não conseguiu emplacar.
No Cruzeiro, o atleta treinou, mas não jogou. Diogo Vitor deixou Belo Horizonte após a compra da SAF por Ronaldo, no início de 2022.
Profissionalmente, há registros do atacante apenas em Santos (10 jogos e um gol), Maringá-PR (6 jogos e 2 gols) e ASA-AL (11 jogos e um gol). No momento, Diogo Vitor está com 28 anos e sem clube.