Com proposta em mãos para assumir o Cruzeiro, o jovem Fernando Gago, de 37 anos, pode ser apenas o segundo técnico argentino na história do clube. Nas últimas horas, as conversas avançaram consideravelmente com a diretoria celeste para um possível acerto.
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Até então, o único “hermano” que dirigiu o Cruzeiro na história foi Nelson Ernesto Filpo Núñez. Tio de Eduardo Coudet (ex-Atlético e hoje no Internacional), Núñez desembarcou em Belo Horizonte em julho de 1955. À época, sua contratação foi indicada por Martim Francisco, técnico do América-RJ naquela temporada.
Curiosamente, Filpo Núnez treinou a equipe cruzeirense em duas passagens. Na primeira, o argentino substituiu Niginho, ídolo e terceiro maior artilheiro da história do Cruzeiro. Apesar da novidade, a penúltima colocação no primeiro turno do Campeonato Mineiro custou o cargo ao gringo cerca de quatro meses após a sua chegada.
Volta à Toca da Raposa com mais status, mas números semelhantes
Em 1970, 15 anos depois de ter deixado o Cruzeiro, Filpo Núñez retornou à Toca da Raposa já como um técnico conhecido e respeitado na América do Sul. Na década passada, o argentino foi campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1965 pelo Palmeiras e, no mesmo ano, comandou a Seleção Brasileira na inauguração do Mineirão.
Com ideias inovadoras e com reformulações em um esquema que chamou de “Carrossel”, antes mesmo de ser usado para definir a Holanda na Copa do Mundo de 1974, Núñez foi demitido 40 dias depois de ter sido contratado.
Uma sequência de derrotas fez o presidente italiano Felício Brandi demitir Filpo Núñez. Depois de ter sido desligado, o argentino ainda fez uma declaração para lá de inusitada. “Não sou milagroso. Não podia melhorar o time com os seguidos jogos do Campeonato Brasileiro. Saio tranquilo. Não quero nem a minha indenização”, afirmou à época.
Ao todo, nas duas passagens pelo Cruzeiro, Filpo Núñez somou 11 vitórias, oito empates e 11 derrotas, um aproveitamento de 45,55%.
Fernando Gago
Em 2021, o ex-volante Gago se aposentou como jogador pelo Vélez Sarsfield e, no mesmo ano, assumiu o comando do modesto Aldosivi. Ao todo, em sua primeira experiência como técnico, ele somou sete vitórias em 26 jogos.
Apesar do trabalho inicial não ter sido de grande destaque, Gago foi contratado pelo Racing ainda no fim de 2021 e ficou à frente da Academia até 2 de outubro deste ano. No período, a equipe se configurava normalmente no esquema 4-3-3 e era agressiva, com pressão na saída de bola adversária e presença de dois pontas e um centroavante no ataque.
Nos últimos anos, o Racing se notabilizou por efetivar técnicos mais jovens, como Diego Cocca (ex-Seleção Mexicana), Eduardo Coudet (ex-Atlético e hoje no Inter) e Sebastián Beccacece (no Elche, da Espanha).
Pelo Racing, Fernando Gago conquistou, até então, os dois únicos títulos como treinador: o Trofeo de Campeones e a Supercopa Internacional. Por lá, o ex-meio-campista somou 116 jogos e conquistou 55 vitórias.
Sem confirmar os resultados esperados na Copa Libertadores e na Copa Argentina, Gago pediu demissão após forte pressão da torcida.
Times que Gago já dirigiu na carreira
- Aldosivi (2021) - 26 jogos e 7 vitórias
- Racing (2021 a 2023) - 116 jogos e 55 vitórias
Carreira de Gago como jogador
Revelado nas categorias de base do Boca Juniors, Fernando Gago estreou como profissional em 2005 e, no mesmo ano, foi campeão pela Argentina no Mundial Sub-20. O ex-volante atuou em todas as sete partidas da competição. Com a camisa do Boca, ele foi bicampeão de forma consecutiva da Copa Sul-Americana.
Considerado um líder no vestiário, Fernando Gago também foi campeão da Copa Libertadores pelo Boca, em 2007, e campeão olímpico pela Argentina em 2008. Pelos xeneizes, conhecido pela boa técnica e pela saída de bola, Gago disputou 84 jogos em sua primeira passagem pelo clube.
Rapidamente, a forte personalidade de Gago o credenciou para compor o elenco do Real Madrid uma temporada e meia após ter feito a sua estreia como profissional. Pelo time merengue, ele fez 120 gols e contribuiu com um gol e três assistências.
Empréstimos e retorno em definitivo à Argentina
Sem espaço no elenco madrilenho em 2011/2012, Gago foi emprestado à Roma, da Itália, onde disputou 32 confrontos e marcou um gol.
No ano seguinte, em 2013, Gago deixou o Real Madrid e foi comprado pelo Valencia, também da Espanha. Pelos “Morcegos”, o argentino atuou em 18 partidas e deu uma assistência.
Na mesma temporada, foi emprestado pelo Valencia ao Vélez Sarsfield, clube em que encerrou a carreira, e retornou definitivamente à Argentina. Por lá, fez oito jogos e não marcou gols.
Há quase uma década, em 2014, Gago voltou ao Boca Juniors e ficou até 2019. No longo período, o ex-volante entrou em campo 115 vezes, e anotou sete gols e duas assistências.
Emprestado pelo Boca ao Vélez, em 2020, Gago conviveu com lesões e poucas atuações no fim da carreira. Até 2021, quando decidiu pendurar as chuteiras, aos 34 anos, ele fez só mais 16 jogos e não balançou as redes.