O xadrez na eleição para a presidência da CBF, que por decisão da Justiça deve ser marcada até 25 de janeiro de 2024, ganhou novo personagem: Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol, decidiu que tentará se lançar candidato ao comando da Confederação Brasileira de Futebol. A informação foi confirmada pela assessoria de Bastos.
Ele articula apoio de federações estaduais e de clubes. Pelo Estatuto da CBF é necessária a assinatura de presidentes de oito federações e de cinco clubes para a inscrição de uma chapa eleitoral. Reinaldo se torna adversário, portanto, de um movimento que tem o advogado Flávio Zveiter, ex-presidente do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), e Gustavo Feijó, ex-vice da CBF e ligado à Federação de Alagoas, como protagonistas.
Zveiter trabalha para ser candidato há algumas semanas, desde que Ednaldo Rodrigues foi afastado, em 7 de dezembro, da presidência da CBF pode decisão do Tribunal de Justiça do Rio. Como a Itatiaia mostrou na quarta-feira, Zveiter contabiliza o apoio de sete federações do Nordeste (Ceará, Alagoas, Sergipe, Piauí, Maranhão, Paraíba e Rio Grande do Norte), além de Rio e Minas Gerais.
Só que um movimento inesperado, na quinta-feira (21), tumultuou o tabuleiro da eleição: Ednaldo Rodrigues procurou o desafeto Gustavo Feijó, responsável pela ação que o tirou do poder, para propor que se unissem em uma chapa que provavelmente teria mais de 22 federações apoiando, o que impediria qualquer outro candidato a se inscrever. E Feijó seria o candidato a presidente.
A negociação, segundo apurou a reportagem, fez com que Reinaldo Carneiro, que até aquele momento apoiava Ednaldo, ligasse para vários cartolas, de federações e clubes, anunciando que pretende se candidatar. A aproximação de Feijó com Rodrigues também não agradou dirigentes de federações do Nordeste que já haviam definido apoio a Flávio Zveiter, em oposição a Ednaldo.
No momento, portanto, a CBF tem três potenciais candidatos: Flávio Zveiter e Gustavo Feijó, de um mesmo grupo, e Reinaldo Carneiro Bastos. O presidente interino da CBF, o atual presidente do STJD, José Perdiz de Jesus, ainda não marcou a data da eleição.
Entenda o afastamento de Ednaldo
O processo que causou o afastamento de Ednaldo Rodrigues da presidência da CBF está ativo desde 2018, por iniciativa do Ministério Público do Rio de Janeiro, ainda referente à eleição de Rogério Caboclo, antecessor de Ednaldo.
O MP questionava o estatuto da confederação por estar em desacordo com a Lei Pelé porque prevê pesos diferentes para clubes nas votações para a escolha dos presidentes. Os dirigentes das 27 federações estaduais têm peso 3 na votação, contra peso 2 dos 20 clubes da Série A e peso 1 dos 20 da B.
A Justiça anulou em 2021 a eleição de Rogério Caboclo e determinou uma intervenção na CBF, nomeando Rodolfo Landim, presidente do Flamengo, e Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), como os interventores. Essa decisão foi cassada pouco tempo depois.
A CBF e o Ministério Público fizeram um acordo extrajudicial e assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Na nova eleição, em 2022, Ednaldo Rodrigues, que estava como presidente interino, foi eleito para um mandato completo de quatro anos, até março de 2026.
Gustavo Feijó, que era vice na época de Caboclo, acionou a 2ª instância. O pedido era que o TAC fosse anulado, e Ednaldo afastado, alegando que o juiz de 1ª instância não tinha atribuição para homologar o documento. Foi isso que foi acatado em 7 de dezembro pelo TJ-RJ.