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Copa do Mundo: trabalhadores estrangeiros denunciam Catar por discriminação

Documento foi enviado para a autoridade máxima do país; cerca de 1,1 mil estrangeiros não teriam recebido um bônus pelo serviço prestado

Messi foi eleito o melhor jogador da Copa do Mundo do Catar

Messi foi eleito o melhor jogador da Copa do Mundo do Catar

Divulgação / Federação Argentina de Futebol

Profissionais responsáveis por trabalhar na organização da Copa do Mundo de 2022 fizeram uma cobrança à Xeque Tamim bin Hamad bin Khalifa Al-Thani, Emir do Catar. No último dia 20 de novembro, um ano após o pontapé inicial da competição, os trabalhadores enviaram um documento em tom de denúncia pelos serviços prestados.

De acordo com o termo, cerca de 1,1 mil estrangeiros que trabalharam no Catar antes, durante e depois do Mundial não receberam os valores correspondentes a um bônus. O direito seria garantido por parte do Supremo Comitê para Entrega e Legado, nome do comitê organizador do evento. No entanto, cerca de 100 funcionários locais teriam sido pagos normalmente.

Os responsáveis pelo documento apontam um caso de discriminação. Isso se deve ao fato do bônus ter sido repassado apenas aos cataris, desconsiderando os estrangeiros, que eram maioria nas equipes de trabalho.

No pedido, a maior autoridade do país é solicitada para “reconsiderar a decisão de excluir os estrangeiros do pagamento de bônus”. O pedido também reforça que “tal gracioso gesto seria um exemplo do reconhecimento às inestimáveis contribuições e uma defesa dos nobres princípios de inclusão e justiça, independentemente de nacionalidade”.

Este, que foi o pedido mais incisivo ao representante do Catar, veio após uma série de tentativas de contato com outras autoridades do país. Nenhuma delas obteve resposta.

Dentre os trabalhadores que não receberam o bônus, estima-se que há 100 brasileiros. O número significativo se deve ao fato do país ter recebido a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Desta forma, o Brasil passou a ser uma das referências para fornecer mão de obra qualificada.

Como eram os pagamentos?

Relatos enviados à reportagem do GE revelaram que tal pagamento não era previsto em contrato. Entretanto, este seria um costume no Catar e no Oriente Médio. A bonificação aos trabalhadores cataris também não estava acordada formalmente, mas ainda assim foi realizada.

Os valores podem variar de acordo com a posição, a remuneração e o desempenho de cada profissional, o que dificulta o cálculo de uma possível dívida. De modo geral, o salário daqueles que trabalharam em uma edição Copa do Mundo contavam com uma remuneração base e alguns benefícios, tais como auxílios para transporte, moradia, gastos com equipamentos e alimentação.

Com as devidas avaliações, estes trabalhadores poderiam receber um salário base de bônus, ou até mesmo um salário completo, que pode chegar ao total de cinco salários.

Próximos passos

Diante do fim da Copa do Mundo de 2022, o quadro de funcionários estrangeiros foi reduzido de 1,1 mil para, aproximadamente, 300 pessoas. A decisão foi tomada pelo Comitê Supremo, que terá pela frente a Copa da Ásia, em janeiro e fevereiro de 2024.

Relatos dos trabalhadores e ex-funcionários relatam que, em junho deste ano, foram recebidos e-mails com informações de suas contas bancárias. A situação foi interpretada como um “sinal” de que o bônus correspondente à Copa de 2022 seria pago.

No entanto, nenhuma atualização foi dada. Agora, o pedido é que haja um comunicado formal para confirmar que os pagamentos não serão enviados.

Jornalista em formação na UFMG. Apaixonado por futebol e esportes em geral.
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