O guia para se tornar um maratonista

Entenda os sacrifícios e por que cruzar a linha de chegada vicia.

O guia realista para se tornar um maratonista

Correr 5 ou 10 quilômetros no parque é um hábito saudável e acessível. Correr uma maratona, com seus 42.195 metros, é uma escolha de vida. A distância, que faz parte do imaginário dos apaixonados pelo esporte, atrai milhões de pessoas ao redor do mundo e exige muito mais do que um par de tênis e fôlego. Alcançar esta marca envolve uma reengenharia completa da rotina.

A transformação de um corredor amador em um maratonista envolve uma disciplina quase militar, investimento financeiro e uma resiliência mental que poucos desafios modernos oferecem. Se você pensa em encarar esse desafio, é preciso saber que a prova não começa na largada. Ela começa meses antes, no despertador que toca às 5 da manhã de um sábado chuvoso.

O guia realista para se tornar um maratonista

A mudança de chave mental

A primeira coisa que muda não é o corpo, é a cabeça. O ciclo de treinamento para uma maratona dura em média quatro meses. Durante esse período, sua vida social muda.

Sextas-feiras à noite em bares são substituídas por jantares de massa e sono cedo. O domingo deixa de ser dia de descanso para ser o dia do “longão”, treinos que podem durar três ou quatro horas. Você passa a encarar a comida como combustível e o sono como ferramenta de recuperação. Sem essa virada de chave mental, o corpo não aguenta o volume de carga que virá.

O volume de treino invisível

Muitos acham que treinar para uma maratona é apenas correr muito no fim de semana. O segredo, na verdade, é o volume acumulado. Você precisa ensinar seu corpo a correr cansado.

Durante a semana, os treinos de tiro e de ritmo se acumulam. As pernas ficam pesadas, e é justamente aí que a mágica acontece. A adaptação fisiológica ocorre quando você obriga seu organismo a continuar funcionando eficientemente mesmo sob fadiga. É um processo doloroso e solitário, mas essencial para construir a resistência necessária para a prova.

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O custo financeiro da jornada

Correr é barato, mas maratonar tem seu custo. O investimento vai além da inscrição da prova. É preciso considerar o desgaste de equipamento, já que você provavelmente vai “gastar” dois pares de tênis durante o ciclo de treinos.

Além disso, entram na conta o acompanhamento nutricional, os suplementos, as sessões de fisioterapia preventiva e, muitas vezes, as viagens para correr em outras cidades ou países. Virar maratonista movimenta uma indústria inteira de performance e bem-estar.

Como alcançar a maratona

Se é tão difícil, por que tanta gente faz? Pela química da chegada. Cruzar a linha de finalização de uma maratona libera uma descarga de endorfina e dopamina que poucas experiências humanas conseguem igualar.

É uma sensação de onipotência. Você olha para trás e vê que superou seus limites físicos e mentais. A medalha no peito é apenas um símbolo. O verdadeiro prêmio é a construção de uma nova identidade. Você deixa de ser apenas alguém que corre para ser alguém que vence desafios impossíveis. E essa sensação vicia.

LINKEDIN: POR LUCAS MACHADO
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Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.

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