Moraes cobra provas e adia decisão sobre prisão domiciliar de Augusto Heleno

Ministro exige documentos médicos desde 2018 para avaliar pedido de regime domiciliar

Ex-ministro de Estado Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República do governo de Jair Bolsonaro.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a defesa do general da reserva Augusto Heleno apresente, em até cinco dias, todos os documentos médicos que comprovem o alegado quadro de demência mista desde 2018. A medida foi tomada antes de uma decisão final sobre o pedido de prisão domiciliar humanitária feito pelos advogados do ex-ministro.

Heleno foi condenado na Ação Penal 2668/DF a 21 anos de prisão em regime fechado, sentença que se tornou definitiva em 25 de novembro de 2025. No mesmo dia, começou a cumprir a pena. A defesa afirma que o general, hoje com 78 anos, sofre de demência mista, Alzheimer e demência vascular, além de outras doenças que exigiriam cuidados contínuos impossíveis de serem prestados no sistema prisional. A Procuradoria-Geral da República (PGR) concordou com a concessão da prisão domiciliar.

Apesar disso, Moraes afirma que não há, nos autos, qualquer documento médico que comprove sintomas cognitivos entre 2018 e 2023, período em que Heleno chefiou o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), órgão responsável por informações sigilosas de Estado. O ministro também cita que o general foi interrogado em juízo em junho de 2025, respondeu normalmente às perguntas e não teve nenhuma limitação apontada por seus advogados naquele momento.

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A pedido da defesa, os documentos médicos anexados ao processo tramitam sob sigilo. Ainda assim, Moraes exige a apresentação de:

  • exames e diagnósticos iniciais que indiquem sintomas desde 2018;
  • relatórios médicos, avaliações neuropsicológicas e psiquiátricas, prontuários e prescrições;
  • registros de consultas e identificação dos profissionais responsáveis pelo acompanhamento;
  • informações sobre eventual comunicação do diagnóstico a setores de saúde da Presidência, de ministérios ou de órgãos oficiais enquanto Heleno estava no governo.

O despacho ordena a intimação das partes, a publicação da decisão e o envio da determinação à PGR. Só após a entrega de toda a documentação o ministro decidirá se concede ou não a prisão domiciliar humanitária ao ex-chefe do GSI. Até lá, não há autorização para que Heleno deixe o regime fechado.

A reportagem da Itatiaia tenta contato com a defesa de Augusto Heleno e aguarda retorno.

Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.

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