Glauber acusa Lira de articular cassação com aval de Hugo Motta

Conselho de Ética aprovou a cassação do deputado por quebra de decoro parlamentar após ele ter agredido um integrante do MBL

O deputado Glauber Braga (esq.) e o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (dir.)

O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) acusou o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) de articular por sua cassação. O parlamentar fluminense deu a declaração após o Conselho de Ética aprovar nesta quarta-feira (9) que ele perca o mandato por quebra de decoro por ter agredido fisicamente um integrante do Movimento Brasil Livre (MBL).

“Absolutamente todas as pessoas dentro e fora da Câmara sabem que esse resultado em nada tem a ver com a minha reação a um provocador. O que está acontecendo aqui é o resultado das denúncias em relação ao orçamento secreto e, mais especificamente, da articulação do ex-presidente da Câmara Arthur Lira”, disse.

Glauber acusou ainda o atual chefe da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), de se envolver para que sua cassação fosse aprovada no Conselho de Ética.

Isso porque, uma das promessas de Motta era que a ordem do dia, momento da sessão do plenário em que os projetos são votados, começaria sempre às 16h. Uma vez iniciada, as reuniões de comissão são encerradas imediatamente. Entretanto, nesta quarta, a ordem do dia só começou às 19h02, 32 minutos após o fim da sessão do Conselho de Ética.

“Uma combinação com o presidente da Câmara para que a ordem do dia não fosse chamada até a deliberação do conselho. Aquilo que eu vinha dizendo desde o início dessa história se confirmou no dia de hoje. Tinha um script pré-estabelecido para que a cassação se operasse”, enfatizou Glauber.

Questionada sobre o porquê do atraso, a Presidência da Câmara não se manifestou. O espaço segue aberto.

Em reação, o deputado também afirmou que permanecerá na Câmara e fará uma greve de fome até o encerramento do processo.

Com a aprovação no Conselho de Ética, Glauber ainda poderá recorrer à CCJ em até cinco dias úteis. Se o recurso for indeferido, o caso segue para o plenário da Câmara, que dá a palavra final no processo. Por lá, são necessários 257 votos para que o parlamentar fluminense perca o mandato.

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Repórter de política em Brasília. Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), chegou na capital federal em 2021. Antes, foi editor-assistente no Poder360 e jornalista freelancer com passagem pela Agência Pública, portal UOL e o site Congresso em Foco.

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