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Sede do G20 para debater energia sustentável, Minas enfrenta problemas de investimentos em energia solar

Protesto marcou primeiro dia das discussões preparatórias do G20 sobre o assunto, em Belo Horizonte

Enquanto líderes de todo o mundo discutem caminhos para produzir energia de forma sustentável, empresas que instalam placas de energia solar reclamam de demora na concessão de licenças e regularização do serviço em Minas Gerais.

Belo Horizonte sedia, até quarta-feira (29), o Grupo de Trabalho de Transição Energética do G20, organismo que tem 19 países-membros e é presidido pelo Brasil desde o final do ano passado.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD) foi o anfitrião do encontro nesta segunda-feira (27) e detalha que o Brasil quer assumir o protagonismo não só regional, mas global, no fornecimento de tecnologia voltada à expansão da energia sustentável.

"É um fórum internacional que recebe representantes do mundo inteiro, da ONU, da OCDE, da OIT, de todas as equipes de ministros de Energia do G20, da americana à chinesa, passando pela Arábia Saudita, a África, a Índia... o mundo disputa, neste momento, quem vai fornecer mais tecnologia, novas rotas, quais as rotas e discute quem vai ser o líder em poder exportar, literalmente, o vento, água, energia solar. E o Brasil, devido a suas grandes potencialidades, inclusive o etanol, que é outra rota tecnológica, nós poderemos não só descarbonizar nossa matriz, como o planeta”, acredita.

Do lado de fora do MinasCentro, onde os debates acontecem, representantes da Frente Mineira de Energia Distribuída fizeram um protesto apontando problemas na produção de energia solar em Minas. Um dos relatos é o do engenheiro eletricista Gleisson Barati, que alerta que empresas do setor têm fechado as portas dadas as dificuldades impostas pela Cemig na liberação de licenças para operação.

“As empresas de energia solar em todo o Estado estão fechando as portas, as pessoas estão ficando sem empregos. A gente precisa do direito de poder trabalhar, colocar energia solar nos seus telhados, defender o consumidor — que está sendo impedido. Precisamos que isso seja resolvido para gerar emprego de forma local em todos os municípios mineiros”, afirmou.

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Ainda de acordo com Barati, projetos tem sido barrados pela Cemig e o ministro Alexandre Silveira poderia mediar uma solução para que o setor continue operando.

“Precisamos de um prazo para isso ser concluído. Tem uma ação concreta junto ao presidente da Cemig porque esses projetos estão sendo barrados pela Companhia de Distribuição de Minas e o ministro de Minas e Energia tem a capacidade de resolver nossos problemas, uma vez que ele é o chefe da Agência Nacional de Energia Elétrica [Aneel]”, afirmou à reportagem.

Questionado sobre o assunto, o ministro Alexandre Silveira disse que foi conversar com os manifestantes e prometeu medidas da agência reguladora.

“Eu fui lá, conversei com eles. Uma parte da manifestação é justa. Empresas ou pessoas físicas que tiveram, no período de validade da lei de subsídio para estimular a [energia] solar, elas tiveram acesso ao parecer de acesso, tem o direito de fazer uma ligação de uma pequena usina de até 5MW até uma usina mais próxima. Como faltaram os investimentos, a celeridade por parte da Cemig, ela não tem dado acesso e deixado eles ligarem. O que é possível cobrar é a Aneel agir com o rigor para que cobre da distribuidora”, afirmou.

Questionada pela Itatiaia sobre o assunto, a Cemig se limitou a dizer que investe e se esforça para aumenta a produção de energia solar e que cumpre todas as normas técnicas determinadas pela Aneel.


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Mineiro de Urucânia, na Zona da Mata. Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Ouro Preto (2024), mesma instituição onde diplomou-se jornalista (2013). Na Itatiaia desde 2016, faz reportagens diversas, com destaque para Política e Cidades. Comanda o PodTudo, programa de debate aos domingos à noite na Itatiaia.
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