Ouvindo...

Times

PF quer Nikolas e deputado capixaba em inquérito por tapa de Quaquá; Zanin consulta PGR

O episódio aconteceu em dezembro do ano passado, durante a sessão que promulgou a reforma tributária; PF enviou ao STF depoimento dado pelo deputado petista sobre o caso

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu, nesta segunda-feira (27), que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre um pedido feito pela Polícia Federal (PF) para a inclusão dos deputados Nikolas Ferreiras (PL-MG) e Messias Donato (Republicanos-ES) no inquérito sobre o tapa dado pelo também deputado Washington Quaquá (PT-RJ) no colega capixaba. O episódio aconteceu em dezembro do ano passado, durante a sessão que promulgou a reforma tributária.

O pedido de inclusão foi feito em 22 de maio, quando a PF enviou ao Supremo o conteúdo do depoimento dado pelo deputado petista sobre o caso. Quaquá disse que o tapa foi uma reação a agressões verbais e físicas as quais supostamente foi alvo.

Vice-presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, deputado federal em primeiro mandato e ex-prefeito de Maricá (RJ), Quaquá responde a um inquérito no STF pelo episódio.

Ao ser questionado, Quaquá disse que Messias Donato e Nikolas Ferreira estavam xingando o presidente Lula durante a cerimônia. Diante disso, começou a gravar a cena, dizendo que iria representar contra ambos no Conselho de Ética da Câmara. Segundo Quaquá, Nikolas o teria xingado e Donato dado um tapa em sua mão. A reação teria acontecido nesse momento, quando o deputado fluminense deu o tapa no rosto do capixaba.

Leia também

“Vou representar na Comissão de Ética”, disse o deputado petista, que se queixava dos gritos dos oposicionistas. “Tu é viadinho, rapaz!”, completou Quaquá. Pelo vídeo que flagrou a situação, gravado pela também deputada Sílvia Waiãpi (PL-AP), é possível perceber que Donato responde e tenta abaixar o braço de Quaquá, que segurava o celular. O petista, então, lhe desfere um tapa com a mão oposta. A partir desse momento, outros deputados tentam apartar a discussão. Quaquá segue xingando: “Vai tomar no cu!”, disse o petista.

O caso foi registrado em vídeo:

CONTROVÉRSIAS

Integrante da Executiva Nacional do PT, Washington Quaquá tem histórico de confusões, inclusive, dentro do próprio partido. Natural de São Gonçalo (RJ), ele está no PT desde os 14 anos de idade.

Ele já foi acusado de usar programas sociais da Prefeitura de Maricá em benefício próprio nas campanhas eleitorais. Em 2013, Quaquá foi condenado por abuso de poder político. A Justiça Eleitoral do Rio optou por mantê-lo no cargo, mas o deixou inelegível por 8 anos.

Em 2016, ele inaugurou uma estátua do guerrilheiro Che Guevara em frente a um hospital da cidade. Em 2019, ele se envolveu em uma briga de bar em Maricá. Na ocasião, ele atirou uma cadeira em um homem que vestia uma camisa com uma suástica.

Já em janeiro de 2022, em entrevista, Quaquá fez críticas à ex-presidente Dilma Rousseff, o que gerou um mal-estar dentro do partido. Ele acredita que a colega de partido “não tem mais relevância eleitoral”. Sem citar nominalmente Quaquá, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, saiu em defesa de Dilma.

Publicamente, o então deputado Paulo Pimenta (hoje ministro-extraordinário para o Rio Grande do Sul) disse que as manifestações do político eram inaceitáveis. “(Quaquá) É um dirigente do PT, suas falas ganham repercussão contra nós, além de serem injustas, absurdas e preconceituosas. Sinceramente não entendo as motivações em provocar toda essa polêmica absurda!”

Um mês depois, Quaquá publicou uma foto em que aparece sorridente ao lado de Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde do governo Jair Bolsonaro. Gleisi voltou a criticá-lo, classificando a imagem como “desrespeitosa”.

Em seguida, também em uma rede social, Quaquá publicou uma imagem de um burro. Na legenda, escreveu: “de direita ou de esquerda, jumento é jumento”. A publicação recebeu vários comentários pedindo que ele saísse do PT.

Na eleição do ano passado, Quaquá foi eleito para seu primeiro mandato como deputado federal, com 113.282 votos (15º mais votado no Rio de Janeiro).


Participe dos canais da Itatiaia:

É jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Cearense criado na capital federal, tem passagens pelo Poder360, Metrópoles e O Globo. Em São Paulo, foi trainee de O Estado de S. Paulo, produtor do Jornal da Record, da TV Record, e repórter da Consultor Jurídico. Está na Itatiaia desde novembro de 2023.
Leia mais