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Lula comemora reconhecimento do Estado Palestino por Espanha, Irlanda e Noruega: ‘histórica’

Para o brasileiro, a decisão é histórica por fazer “justiça” e ter “efeito positivo em apoio aos esforços por uma paz e estabilidade na região”. Palestinos têm conflito histórico com Israel

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou o anúncio de reconhecimento do Estado Palestino por Espanha, Irlanda e Noruega, uma ação conjunta coordenada para pressionar que outros países europeus também reconheçam a soberania da região que tem conflito histórico com Israel. Para o brasileiro, a decisão é histórica por fazer “justiça” e ter “efeito positivo em apoio aos esforços por uma paz e estabilidade na região”.

“A decisão conjunta de Espanha, Noruega e Irlanda de reconhecer a Palestina como um Estado é histórica por duas razões. Faz justiça em relação ao pleito de um todo um povo, reconhecido por mais de 140 países, por seu direito à autodeterminação. Além disso, essa decisão terá efeito positivo em apoio aos esforços por uma paz e estabilidade na região. Isso só ocorrerá quando for garantida a existência de um Estado Palestino independente”, publicou Lula, no X (antigo Twitter), nesta quinta-feira (23).

O presidente lembrou ainda que o Brasil foi um dos primeiros países na América Latina a reconhecer o Estado Palestino, em 2010. A diplomacia brasileira entende as fronteiras da Palestina em 1967, o que inclui a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, tendo Jerusalém Oriental como capital.

Nesta quarta (22), após fortes críticas ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, o premiê espanhol, Pedro Sanchez, afirmou que reconhecer a Palestina pode ser o caminho para o fim do conflito no oriente médio. “O que está claro é que Netanyahu não tem um projeto de paz. Lutar contra o Hamas é legítimo. Mas sua operação coloca a solução de dois Estados em sério perigo. O que faz apenas ampliar o ódio.”

Sanchez acredita que a criação dos dois Estados é a única alternativa para o cessar-fogo entre Israel e Palestina. “Tomamos essa decisão por paz, por justiça e por coerência. Não é uma decisão contra ninguém. Hamas não quer esse reconhecimento [...] A comunidade internacional tem uma dívida histórica com o povo palestino”, pontuou.

Para o primeiro-ministro irlandês, Simon Harris, os palestinos em Gaza são vítimas de uma catástrofe humanitária. ”A paz permanente só pode ser garantida com base na vontade livre de um povo livre [...] eles estão suportando os mais terríveis sofrimentos, dificuldades e fome”, afirmou.

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Em resposta, Israel convocou os embaixadores do país que estão na Irlanda e na Noruega para consultas urgentes e para retomarem a Tel Aviv. O país ameaçou de fazer o mesmo na Espanha. Contudo, não há embaixadores israelenses no território espanhol.

“A decisão de hoje envia uma mensagem aos palestinos e ao mundo: o terrorismo compensa. Depois que a organização terrorista Hamas realizou o maior massacre de judeus desde o Holocausto, depois de cometer crimes sexuais hediondos testemunhados pelo mundo, esses países decidiram recompensar o Hamas e o Irã reconhecendo um Estado palestino”, afirmou Israel Katz, Ministro das Relações Exteriores de Israel.

Reconhecimento do Estado da Palestina

O Estado da Palestina é reconhecido por 144 países dos 193 membros da ONU. Contudo, nenhum dos países pertencentes ao G7 (Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos), reconhecem o território. No entanto, a movimentação da Espanha, Irlanda e Noruega pretende estimular que outros países também reconheçam a soberania do povo palestino.

A Assembleia Geral da ONU pediu o reconhecimento da Palestina como Estado soberano no início de maio e defendeu a entrada do país nas Nações Unidas. Contudo, a proposta foi negada pelo Conselho de Segurança da ONU devido ao veto dos Estados Unidos, nele basta que um dos países membros vote contra alguma proposta para que ela seja engavetada. Atualmente, China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos compõem o conselho.


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É jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Cearense criado na capital federal, tem passagens pelo Poder360, Metrópoles e O Globo. Em São Paulo, foi trainee de O Estado de S. Paulo, produtor do Jornal da Record, da TV Record, e repórter da Consultor Jurídico. Está na Itatiaia desde novembro de 2023.
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