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Greve nas universidades federais tem adesão parcial em Minas; saiba como está a UFMG

Entidades que representam docentes acreditam em crescimento da mobilização; sindicato nacional já projeta avanços em conversas com governo federal

Parte dos quadros da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aderiu à greve das instituições federais de ensino iniciada nesta segunda-feira (15). Apesar da adesão, não houve paralisação total das atividades. Há, também, docentes paralisados em instituições como a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e o Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG).

Segundo apurou a Itatiaia, os departamentos da UFMG com maior adesão à paralisação foram as Faculdades de Direito, Ciências Econômicas e Arquitetura. Docentes de cursos da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich), como História e Filosofia, também engrossam o movimento grevista.

Na Faculdade de Ciências Médicas, os professores devem se reunir nesta segunda para decidir como será um eventual embarque no movimento. Isso porque o setor é responsável por atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS), considerado serviço essencial. A menor adesão veio dos cursos de exatas.

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Segundo professores ouvidos pela Itatiaia, apesar da aprovação da greve em assembleia na semana passada, a definição sobre a continuidade, ou não, das atividades, depende de cada faculdade ou docente.

Boa parte dos profissionais ainda trabalhou nesta segunda e deve dar expediente nesta terça (16). O objetivo é aguardar decisões coletivas de colegas do mesmo departamento. Outros, por sua vez, fecharam as agendas a fim de encorpar a paralisação no meio da semana.

O Sindicato dos Professores de Universidades Federais de Belo Horizonte, Montes Claros e Ouro Branco (APUBHUFMG+) avaliou positivamente o primeiro dia de greve. De acordo com a entidade, professores têm se reunido para debater o movimento. Os representantes sindicais não quiseram estimar numericamente a participação do professorado na greve, mas afirmaram que há “franca expansão” da quantia de adesões.

“Essa fase inicial é de informar aqueles que não puderem estar presentes à assembleia ou que, eventualmente, tenham dúvidas sobre a deflagração da greve neste momento”, lê-se em trecho de comunicado do sindicato. “Tradicionalmente, a adesão da categoria é feita gradativamente à medida em que o movimento avança e se fortalece”, aponta outro fragmento do texto.

O que pedem os professores?

Os docentes das instituições federais pedem que o reajuste salarial seja de 22%, dividido em três parcelas iguais de 7,06% em maio de 2024, 2025 e 2026. Já os servidores técnico-administrativos reivindicam recomposição maior, de 34%, também fracionada em três parcelas neste ano e nos dois anos seguintes.

A proposta do governo é de que não haja reajuste salarial em 2024, mas tem como contraproposta o aumento de benefícios e auxílios pagos aos funcionários públicos, sendo o principal deles o auxílio-alimentação com 52% de aumento, de R$ 658 para R$ 1.000.

Os valores do auxílio-creche e do auxílio-saúde seriam reajustados, conforme proposta do governo, em 51% para todos os servidores públicos federais ativos.

Há, ainda, pleito por incremento nos orçamentos das Instituições Federais de Ensino (IFEs), reestruturação das carreiras e realização de concursos para recompor os quadros das entidades educacionais.

“A mobilização está quentíssima no nosso estado. Por certo, tendemos, desde aqui, a fortalecer esse movimento em escala nacional, que visa, mais do que qualquer outra coisa, a salvaguarda dos direitos e interesses da população trabalhadora, que vê seus sonhos colocados no ensino público federal”, diz Gustavo Seferian, presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) e professor da Faculdade de Direito da UFMG.

Otimismo por negociação

Embora a falta de avanço nas negociações tenha sido, na visão dos servidores, o elemento causador da greve, há esperança por avanços positivos nas conversas.

“O anúncio das greves e a construção delas fez com que o governo se movimentasse”, aponta Seferian.

Segundo ele, debates travados em mesas de diálogo instaladas pelo Palácio do Planalto foram acelerados após o início do movimento.

Paralelamente, o Diretório Central dos Estudantes da UFMG (DCE-UFMG) articula seus movimentos.

“Estamos orientando os estudantes a procurarem os professores para saber se estão aderindo ou não. Os centros e diretórios acadêmicos estão organizando listas com os nomes para orientar os estudantes além de também usar para pressionar os professores pela adesão à greve”, explica Luíza Datas Cruz, coordenadora-geral do DCE.

Procurada, a UFMG afirmou que não se posiciona a respeito de greves.


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Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.
Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.
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