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Audiência na ALMG aponta más condições da BR-367 e prejuízos para o Vale do Jequitinhonha

Precaridade nas vias e pontes é responsável por diversos acidentes na região; em setembro de 2023, um caminhoneiro morreu após cair de uma altura de 12 metros

A falta de pavimentação da BR-367, perto de Berilo, no Vale do Jequitinhonha, e a solução para diversas pontes de madeira na região deram o tom nesta quinta-feira (22), em audiência pública realizada pela Comissão de Participação Popular da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Deputados denunciam que as demandas continuam sem respostas e que as más condições da via causam alagamentos, acidentes e que dispersam possibilidades de investimentos na região. O deputado Estadual Marquinho Lemos (PT) demonstrou insatisfação em relação aos investimentos nas rodovias do Vale do Jequitinhonha. À reportagem da Itatiaia, o deputado estadual ressaltou que a falta de infraestrutura atrapalha o desenvolvimento do vale.

“O Vale do Jequitinhonha, em comparação as outras regiões de Minas, não é a mais pobre, mas é a mais esquecida. Falta ainda muito na infraestrutura e talvez seja por isso que muitas empresas não se instalem na região. Quando acontece é mais relacionado à exploração, como no caso agora do Vale do Lítio. A falta de rodovias com melhores condições e melhor comunicação, coisas muito importantes que já existem em outras regiões, no Vale do Jequitinhonha não tem”, diz Lemos.

O deputado doutor Jean Freire (PT) ironizou no início da sua participação na audiência “parabenizando todos os que tiveram que passar pela BR-367” para marcar presença na comissão e ressaltou que a região do Vale do Jequitinhonha e do Norte de Minas ainda é a que menos se desenvolve em Minas Gerais. Freire ainda menciona que a situação precária das regiões é “romper com os Direitos Humanos proibir as pessoas de ir e vir”.

“Neste momento nós somos do partido político Vale do Jequitinhonha. Eu não tenho ‘rabo preso’ com político nenhum. Nas cobranças com a minha terra eu vou onde tiver que ir e onde couber as minhas mãos.

O prefeito de Jequitinhonha, Nilo Souto, denunciou que a falta de qualidade nas vias impacta no desenvolvimento econômico do município. O prefeito conta que foi informado por uma ligação que a cidade estava deixando de arrecadar cerca de meio milhão de reais na venda de bananas devido à resistência dos entregadores em passar pelas vias.

“Com a situação eu liguei para os fornecedores e eles, no final, aceitaram vir. No entanto, viriam apenas se fosse concedido o desconto de mais ou menos 20%. Por aí, você vê o quanto estamos deixando de faturar”, conta o prefeito.

A prefeita de Berilo, Elane Alves, também cobrou resoluções para os problemas de forma definitiva, além de destacar a necessidade da divulgação dos prazos para que as obras saiam do papel. Durante a ocasião, a prefeita ainda relembrou um acidente fatal envolvendo o motorista de um caminhão em setembro de 2023. O homem trafegava em uma ponte na entrada de veículo quando perdeu o controle e caiu de uma altura de 12 metros.

“Com esse trágico acidente que matou o caminhoneiro, a população se revoltou e viemos atrás de respostas que há muitos anos estamos cobrando”
Elane Alves, prefeita de Berilo

Elane Alves também destacou outras vias precárias na região, como, por exemplo, as próximas aos Córregos do Ribeirão e Bem-Querer e aponta que só enxerga remendos realizados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Aldemir Gobira, prefeito de Almenara, afirmou que os moradores da região do Jequitinhonha se sentem punidos com a precariedade das vias da região.

“Se nós quisermos sair para o sul da Bahia nós não temos estradas. Se nós quisermos ir para Vitória da Conquista nós não temos estradas. Se nós quisermos vir para a capital do nosso estado nós não temos estradas. Fomos colocados em uma situação em que nos é negado o direito de ir e vir”, diz o prefeito.

O prefeito de Itaobim, Fabiano Ribeiro, cobrou a sinalização das obras e denunciou que os materiais utilizados para as obras de tapa-buraco não tem a qualidade necessária para atender os parâmetros de qualidade de uma via segura.

“Cadê o responsável que fiscaliza a qualidade dos materiais das obras? Com as chuvas que tivemos no mês de fevereiro, não existe mais estrada de Itaobim a Itinga. Está tudo emburacado novamente”, afirma Ribeiro.

Mais da metade do percurso da BR-367 precisaria ser reconstruído

Após escutar as reivindicações realizadas pela mesa e pelos convidados, o superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Antonio Santos, afirmou que uma das metas é que sejam licitados, ainda no primeiro semestre de 2024, dois ou três novos contratos com serviços de manutenção mais abrangentes para segmentos da rodovia.

Ele admitiu, contudo, que mais de 60% do percurso da BR-367 precisaria ser reconstruído, o que exigiria projetos mais demorados. Segundo o órgão, a meta é chegar até o final do ano sem nenhum buraco na rodovia.

Sobre a situação da BR-367 em Berilo, uma das maiores preocupações da região, o gestor relatou que será necessário licitar um novo projeto, cujo edital de contratação deve sair em até 60 dias. Após a contratação, o projeto deve ser finalizado em até 18 meses.

O superintendente também mencionou a ponte de madeira na entrada da cidade. Gabriel Santou disse que foi concluído que seria melhor a construção de uma nova ponte de concreto, ao lado da de madeira. O representante disse que a expectativa é que a obra já esteja contratada até o final do semestre.

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Repórter de Política Nacional e Internacional na rádio Itatiaia. Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e pós-graduanda em Comunicação Governamental na PUC Minas. Sólida experiência no Legislativo e Executivo mineiro. Premiada na 7ª Olimpíada Nacional de História do Brasil da Universidade de Campinas.
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