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Epicentro de escândalo de espionagem ilegal, Abin tem 75,8% de cargos vagos

São cerca de 3,5 mil postos desocupados na agência de inteligência. Ex-diretor é investigado por espionar adversários políticos do ex-presidente Jair Bolsonaro e jornalistas

abin fachada

A fachada da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), em Brasília

Antonio Cruz/Agência Brasil

A cada quatro vagas de trabalho disponíveis para a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), três estão desocupadas. É o que apontam dados do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos filtrados pela Itatiaia.

Das 4.573 vagas aprovadas para o funcionamento pleno da instituição, apenas 1.106 estão efetivamente ocupadas. Os demais 3.467 postos estão desocupados. Ou seja, 75,8% da capacidade funcional da organização está vaga. Os números fazem parte de um balanço de novembro de 2023.

A maior parte dos cargos desocupados é para a função de oficial de inteligência (1.399). Na sequência, estão os de agente de inteligência (878) e o de oficial técnico de inteligência (329).

Em nota, a Intelis (União dos Profissionais de Inteligência de Estado da Abin) diz que “a inteligência de Estado tem que ser preservada do debate político-partidário, e os profissionais de carreira precisam ser valorizados”.

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Espionagem
A Abin está no centro de um escândalo investigado pela Polícia Federal. Na quinta-feira (25), o ex-diretor-geral da agência Alexandre Ramagem foi alvo da operação “Vigilância Máxima” por suposta prática de espionagem ilegal.

Segundo a investigação, o esquema envolvia o uso de um software isaralense chamando “FirstMile”, capaz de obter dados de geolocalização em dispositivos móveis, como celulares e tablets, sem autorização judicial e sem o conhecimento de quem estava sendo monitorado.

O programa - adquirido durante a gestão do ex-presidente Michel Temer - permite o rastreio do paradeiro de qualquer pessoa através do dispositivo móvel. É possível ver o histórico de deslocamentos e criar alertas em tempo real de movimentações em diferentes endereços.

O sistema teria sido usado para espionar adversários políticos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), jornalistas e até ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação da PF aponta que houve uma intensificação desse uso ilegal em 2021.

A operação “Vigilância Aproximada” apura se Ramagem, ex-diretor da agência, teria chefiado de uma organização criminosa que teria se infiltrado na Abin com o propósito de realizar monitoramento ilegal de autoridades públicas e indivíduos. De acordo com a investigação, o uso da ferramenta de monitoramento era feito sem a devida autorização judicial.

Os investigados podem responder pelos crimes de: invasão de dispositivo informático alheio; organização criminosa e interceptação de comunicações telefônicas, de informática ou telemática sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei.

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É jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Cearense criado na capital federal, tem passagens pelo Poder360, Metrópoles e O Globo. Em São Paulo, foi trainee de O Estado de S. Paulo, produtor do Jornal da Record, da TV Record, e repórter da Consultor Jurídico. Está na Itatiaia desde novembro de 2023.
Correspondente da Rádio Itatiaia em Brasília atuando na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas Gerais, já teve passagens como repórter e apresentador pela Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor do prêmio CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio.
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