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Vendedor denuncia violência de cabo da PM em Santa Luzia: 'Fiquei algemado das 16h às 3h'

Por Rômulo Ávila, 25/06/2020 às 14:10
atualizado em: 28/06/2020 às 07:42

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Um vendedor autônomo de 47 anos, sem antecedentes criminais, procurou a Corregedoria da Polícia Militar para denunciar a atuação de um cabo da corporação durante uma abordagem em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Inconformado, ele também procurou a Itatiaia nesta quinta-feira para relatar que ficou mais de 8 horas algemado, sofreu tortura psicológica, foi ameaçado de morte e teve o celular e mercadorias apreendidos. O site da Itatiaia teve acesso ao boletim de ocorrência e à denúncia feita à corregedoria. 

Leia a atualização: Vendedor que denunciou suposta violência de cabo da PM recupera mercadorias apreendidas

“Além da corregedoria, vou acionar o Ministério Público, a Comissão de Direito Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e todos os órgãos possíveis da Justiça, para poder reparar esse dano físico, material, emocional e moral”, disse o vendedor, que acusa os policiais de terem prestado informações falsas no boletim.

“Algemado eu fiquei das 16h até, aproximadamente, 3h da madrugada. Em momento nenhum foram retiradas, sem poder tomar água... na verdade, fui proibido de tomar água. Ele não permitiu que eu tomasse água, nem que eu fosse ao banheiro”, disse à Itatiaia.

A ocorrência teve início com uma abordagem de trânsito na avenida Brasília na tarde dessa segunda-feira (22), passou pela delegacia da Polícia Civil da cidade, pela sede da Polícia Federal em Belo Horizonte, pela Receita Estadual e só foi encerrada no começo da manhã da terça-feira (23).

B.O

Consta no boletim de ocorrência que o veículo do vendedor estava parado em local proibido na avenida Brasília. Durante a verificação, o cabo e um soldado constataram que o carro estava com licenciamentos atrasados. Por isso, o veículo teria sido apreendido. Ainda conforme o boletim, os policiais resolveram fazer buscas no veículo. Encontraram malas de roupas e equipamentos eletrônicos. O autônomo diz que compra as mercadorias em São Paulo e em Goiás e as revende pelo interior de Minas. Como não tinha nota, o material foi apreendido. De acordo com a ocorrência, o vendedor teria resistido e foi algemado, fato negado com veemência pelo denunciante. Começava ali, segundo ele, momentos de constrangimento, humilhação e ameaças.

À Itatiaia, o autônomo disse ter sido levado para a delegacia da Polícia Civil da cidade pelos crimes de descaminho (crime contra a ordem tributária) e desacato. Porém, o delegado de plantão informou que a competência do caso era da Polícia Federal, em Belo Horizonte. “Ocorre que, chegando lá, fomos informados por agentes daquela instituição de que eles não receberiam a ocorrência por entender que não se tratava de crime de descaminho, pois não havia provas robustas daquela infração até o momento”, diz trecho do boletim. 

Reprodução

Ameaças

A mercadoria apreendida foi deixada na Receita Estadual, em BH, e os policiais e o vendedor voltaram para a 71ª Companhia, do 35º Batalhão, em Santa Luzia. “Houve muita ameaça e tortura. Além de me chamar dos piores nomes que se pode chamar uma pessoa, me maltratar e humilhar, ele me deixou amarrado (algemado) igual a um cachorro amarrado em um poste. Disse que se eu o denunciasse ele me mataria. Isso ele falou duas vezes”, diz. 

Após ser solto, na manhã de terça-feira (23), o vendedor procurou a Corregedoria da PM e denunciou o caso. Além da atuação do cabo, o autônomo disse que militares que estavam na Companhia foram coniventes com a situação.

A reportagem procurou a PM. O 35º Batalhão informou que, como o fato já foi noticiado à Corregedoria, "a Polícia Militar de Minas aguardará a apuração para entender os acontecimentos e dar a resposta tanto ao cidadão quanto encaminhamento para a Justiça".

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