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Associações defendem mais qualificação e oportunidades profissionais para detentos

Por Redação , 23/10/2019 às 09:41
atualizado em: 23/10/2019 às 13:05

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Foto: Pixabay/ banco de imagens
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Maior de Minas, com 500 mil metros quadrados, a Penitenciária Agrícola de Ribeirão das Neves, na Grande BH, foi inaugurada em 1937 e, posteriormente, recebeu o nome de José Maria Alckmin. Referência na produção, vem perdendo ao longo dos anos essa característica.

De acordo com Reginaldo Soares, diretor-geral da unidade, isso é devido ao perfil dos ‘novos’ presos. “Antes vinham do interior, chegavam aqui e ajudavam, contribuíam e muito com a produção, mas a evolução do tempo mudou esse perfil. Hoje em dia quem cumpre pena são jovens, geralmente de centros urbanos e não mais interessados em atividades de campo”. 

Ouça a reportagem completa com João Felipe Lolli

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A história de pessoas que deixaram a prisão e buscam a ressocialização em MG

Na mesma unidade, em Neves, há uma olaria onde são fabricados insumos para construção civil. Quatro detentos trabalham no local. Um deles tem 25 anos e está preso pela segunda vez, por roubo e porte de arma de fogo, e pode sair em abril do ano que vem. 

“Da primeira vez o pensamento era totalmente diferente, sair, fazer errado novamente e assim eu fiz, mas dessa segunda eu voltei, voltei baleado e comecei a abraçar as oportunidades”, conta.

Maria Teresa dos Santos, presidente da associação de amigos e familiares de pessoas em privação de liberdade, defende oportunidades diferentes para os detentos. 

“E a gente precisaria que colocassem trabalho lá dentro oficina de mecânica, lanternagem, funilaria, solda, coisas que quando o preso saísse ele conseguisse ir em empresas e arrumar um emprego, receber um salário e se sustentar”.

Pensamento parecido tem Rogério Leonardo, presidente do Conselho Penitenciário do Estado de Minas Gerais, que é contrário à máxima de que bandido tem que sofrer pra pagar pelos erros que cometeu. 

“Quanto melhor você tratar e mais oportunidades você der, maior as chances de que essas pessoas retornem melhores, e não piores, porque nós vamos ter que conviver com essas pessoas no futuro”.

Segundo a secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública, existem 438 parcerias com empresas privadas e com 98 prefeituras em mais de 100 segmentos como: cozinhas industriais, confecção de roupas, móveis, eletroeletrônicos, construção civil e indústria alimentícia. Para o trabalho de presos no regime fechado é necessário monitoramento feito por agentes penitenciários.

Luiz Gellada, vice-presidente da Associação Mineira de Agentes e Servidores Penitenciários (AMASP) alega que há déficit de profissionais e analisa negativamente as possibilidades de trabalho existentes nas penitenciárias.  

“Você só ouve falar de crime, de acerto de contas, é 1% que quer mudar de vida e a população carcerária ela não vai parar enquanto não tiver pena de morte não vai resolver, essa ressocialização é uma heresia, é como se fosse um marketing para a sociedade, se eles querem criar vagas, ressocializar, o primeiro passo é capacitar os profissionais, aumentar a mão de obra, é o que não está acontecendo hoje no sistema penitenciário de Minas Gerais que está largado às traças”.

Nesta quinta-feira (24), a série especial mostra os desafios que quem saiu do sistema penitenciário enfrenta para conseguir um emprego. 

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