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Rodoanel Metropolitano: solução ou novo problema?

Série especial da Itatiaia mostra pontos positivos e negativos de uma das maiores obras da Grande BH

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Foto: Reprodução

Processo para construção do Rodonael está em andamento, mas é alvo de críticas

Cerca de cem quilômetros, onze cidades, quatro alças e mais de 30 mil veículos por dia, quando estiver pronto. Os números do Rodoanel Metropolitano tornam esta obra, que ainda está no papel, uma das principais rodovias do estado. O projeto vem sendo discutido por vários governos desde o final da década de 90 e agora deve sair do papel. Notícia boa para os quase 200 mil motoristas que passam todos os dias no Anel Rodoviário e podem ganhar uma nova opção. 

A quilometragem é aproximada e poderá ser atualizada quando a elaboração do Projeto de Engenharia pela concessionária for finalizada. Com previsão de conclusão entre 2027 e 2028, o Rodoanel passará por 11 cidades da Grande BH: Contagem (12,3 Km), Betim (18,5 Km), Belo Horizonte (6,5 Km), Ibirité (17,9 Km), Nova Lima (1,5 Km), Sabará (6,2 Km), Santa Luzia (13,4 Km), Vespasiano (9,8 Km), São José da Lapa (1 Km), Pedro Leopoldo (5,2 Km) e Ribeirão das Neves (8,4 Km). A obra será feita a partir de uma parceria público-privada (PPP), com concessão de 30 anos para a concessionaria vencedora. A licitação será realizada em parceria com a B3 e está prevista para 28 de abril deste ano. 

Mas o Rodoanel Metropolitano vai evitar acidentes? Ou já nasce trazendo problemas? O traçado de uma das vias, passando por dentro de Betim e Contagem, é um problema? Ou é uma solução para levar crescimento e mobilidade? Essas e outras perguntas serão respondidas ao longo desta semana, na série especial da Itatiaia. Nesta segunda-feira (14), você confere os principais detalhes do projeto e as polêmicas em torno da obra. 

Projeto

O projeto do Rodoanel Metropolitano existe desde o final da década de 90. Desde então o traçado vem sendo modificado e atualizado constantemente. No atual governo a responsável pela obra é a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade (Seinfra), chefiada pelo advogado Fernando Marcato. 

São quatro alças viárias: Oeste e Norte seriam as primeiras a ficarem prontas, previstas para 2026 – a alça norte tem início no entroncamento com a BR-381 trecho Belo Horizonte - Governador Valadares e fim no entroncamento com a LMG-806, tendo extensão de 43,9 km; a alça oeste começa no entroncamento com a LMG-806 e termina no entroncamento com a BR-381 trecho Belo Horizonte - São Paulo. Ao todo, são 25,8 quilômetros de extensão. 

As alças Sul e Sudoeste devem ficar prontas, segundo o governo do estado, entre 2027 e 2028. A alça Sudoeste tem 13,2 quilômetros de extensão, do entroncamento com a BR-381, trecho Belo Horizonte - São Paulo, até entroncamento com a MG-040. Já a alça Sul vai do entroncamento com a MG-040 até o entroncamento com a BR-040, no trecho Belo Horizonte - Rio de Janeiro. Ao todo, são 17,6 quilômetros de extensão. 

O consultor em transporte e trânsito, Osias Baptista, pondera que é preciso entender qual é o objetivo do projeto. Ele aponta dois caminhos possíveis: 

"Ou ele vai retirar o tráfego de passagem de dentro de Belo Horizonte, da Região Metropolitana, ou nós vamos usar o Rodoanel para potencializar o desenvolvimento econômico da Região Metropolitana, criando acessibilidade em áreas que hoje não têm esse acesso para transporte de cargas. Então a definição passa inicialmente por quais das duas coisas se busca o Rodoanel ou se busca as duas ao mesmo tempo", opina.  

Foto:Seinfra/ Divulgação

Sem caminhões no Anel Rodoviário

Um dos grandes trunfos do projeto é a promessa de reduzir acidentes no Anel Rodoviário de Belo Horizonte. Segundo o governo, a obra tem potencial para evitar cerca de mil acidentes por ano no Anel. Pode haver, inclusive, a proibição de caminhões no anel quando as obras do Rodoanel forem concluídas. 

O edital já está lançado e o leilão está marcado para 28 de abril, na Bolsa de Valores de São Paulo. A empresa vencedora da licitação será a que oferecer o maior desconto sobre o valor a ser aportado pelo estado. O governo de Minas Gerais pretende aportar R$ 3 bilhões, obtidos através do acordo de indenização pela Tragédia da Vale em Brumadinho. 

 

Prefeitos criticam falta de diálogo

O Prefeito de Brumadinho, Alvimar de Melo Barcelos (PV), o Neném da Asa, avalia que a obra é fundamental para as cidades da Grande BH, mas ressalta que é preciso diálogo com os chefes dos Executivos municipais. "O Rodoanel é uma obra fundamental. É preciso conversar, dialogar com os municípios para que o traçado seja eficiente, se não, vamos jogar dinheiro fora", disse.  

Prefeitos das três maiores cidades da Região Metropolitana reclamaram da forma como o governo do estado debateu o projeto. Alexandre Kalil (PSD), prefeito de Belo Horizonte, alega desrespeito durante as reuniões para discutir as obras. "O prefeito de BH não pode deslocar até a Cidade Administrativa para debater com o terceiro escalão, é no mínimo um desrespeito aos prefeitos da Grande BH. Chegou ao ridículo o que eu assisti na sede do Governo com o terceiro escalão", reclama. 

A prefeita Marília Campos (PT), de Contagem, conta que não houve cessão do governo de Minas em nenhum dos pontos levantados pelos líderes municipais. "O diálogo que o governo fez foi apenas de ouvir e não arredar o pé", pontua. 

Vitório Medioli (sem partido), prefeito de Betim, ressalta que a obra vai impactar milhões de pessoas, mas afirma que o Governo beneficiou as empresas privadas durante a elaboração do projeto. "Maior obra da história da Região Metropolitana, uma obra que impacta milhões de pessoas, que impacta muitos municípios e sequer chamou para uma conversa os prefeitos. Em compensação, as concessionárias têm o tapete vermelho", disse. 

Os três prefeitos são de campos políticos opostos ao governador Romeu Zema (Novo) e focam as críticas em Fernando Marcato, advogado que ocupa a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade. O secretário garante que fez debates amplos e com participação popular. 

"Realizamos cinco audiências públicas em diversos municípios e tivemos mais de 70 mil visitas no site, ou seja, todas as informações e todos os estudos ficaram disponíveis na internet para consulta. Quem quisesse criticar, alterar, modificar e propor poderia fazê-lo simplesmente acessando a internet", garantiu Marcato.  

Prefeita de Vespasiano e presidente da Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Granbel), que reúne 34 municípios da Grande BH, Ilce Rocha (PSDB) acredita que os gestores destas três cidades – Betim, Contagem e BH – tem conotações políticas ao criticarem o projeto. 

"Se começar a colocar as questões políticas, questões partidárias dentro disso tudo, isso não vai andar e não vai crescer", critica. 

Alça Oeste é a principal polêmica  

No segundo episódio da série especial da Itatiaia, que vai ao ar nesta terça-feira (15), você confere a principal divergência sobre a proposta de construção do Rodoanel: a alça oeste, que atravessa as cidades de Betim e Contagem. A discussão pode atrasar e até inviabilizar a construção do Rodoanel Metropolitano.