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Represa de água limpa usada para o turismo, em Pará de Minas, vira local de poluição

Moradores e ambientalistas denunciam esgoto que cai no local, 'estragando' beleza natural

Por Com informações de Ailton do Vale, 13/01/2022 às 08:12
atualizado em: 13/01/2022 às 08:31

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Foto: Arquivo Pessoal
Arquivo Pessoal

Lagoa Azul se tornou um local de intensa poluição

O que era uma represa de águas claras há pouco mais de 100 quilômetros de Belo Horizonte, com incalculável potencial turístico e econômico, hoje se tornou um foco de poluição e que tem contribuído, nesse período chuvoso, para aumentar o risco de ruptura em uma barragem. 

O Lago Azul, no distrito do Carioca, em Pará de Minas, Região Centro-Oeste do estado, foi tomado nos últimos anos pelos dejetos provenientes do esgoto de cidades vizinhas, como Itaúna. 

Com os poluentes orgânicos, surgiram milhares de aguapés, uma espécie aquática que se acumulou na barragem da Usina do Carioca, na hidrelétrica da companhia Santanense, localizada no Rio São João. 

De acordo com o ambientalista José Hermano, presidente do Comitê de Bacia do Rio Pará, devido ao aumento do volume de água na represa por causa das fortes chuvas em Minas, as plantas foram arrastadas, formando uma massa que atrapalha o curso d'água e também força o dique. 

Desde domingo passado, a prefeitura de Pará de Minas vem alertando os moradores sobre o risco de rompimento da estrutura. 

“Existe um peso extra ali. A água empurrando e um peso extra. A água até desvia um pouco pra um dos lados, abre a lateral, enfim. Acredito que isso pode ajudar a comprometer. Ele recebe essa carga de esgoto de Itatiaiuçu, Itaúna e parte de mais povoados, distritos. Tem muita mineração de areia e argila no meio dele, e isso vai gerando uma série de impactos, mas a quantidade de esgoto nós estamos falando de cento e poucas mil pessoas. Enquanto não se mexer nisso, o aguapé vai continuar existindo. Já foi retirado de formas diferentes e ele volta. A gente avisa. Não adianta fazer de qualquer jeito. Essa novela de vai tratar esgoto eu acompanho há dez anos”, pontuou José Hermano.

A reportagem da Itatiaia foi às ruas de Pará de Minas saber o que pensam os moradores da cidade sobre esse cenário no Lago Azul, local que um dia recebeu banhistas de vários municípios e proporcionava passeios em lanchas, jet skis e até a prática de esportes aquáticos. 

“Turismo do Lago Azul simplesmente acabou. É o que gerava renda pro arraial de carioca”, disse um popular.

Morador antigo do distrito do Carioca e dono de algumas chácaras do local, o empresário Júlio Ferreira conta com tristeza a mudança que viu ao longo dos anos na represa. 

“No ano de 2008, ele foi eleito a oitava maravilha do Centro-Oeste de Minas. Era um local, como existe Furnas que serve de recreio, de lazer,  aqui o nosso Lago Azul é da regional. Itaúna, Divinópolis, Nova Serrana, Pitangui, todas as cidades tinham no final de semana um local pra se divertir com águas limpinhas. Só que a cidade de Itaúna está enrolando a situação de tratamento do esgoto. Eles coletaram o esgoto pra que não jogasse pelo Rio São João enquanto atravessa a cidade, então você não sente cheiro nem nada. Mas eles estão jogando na saída pra Divinópolis, onde tem uma Usina do Caixão, e lá você enxerga a ‘porcariada’ flutuando no rio e descendo”, denuncia João Ferreira.

Procurada pela Itatiaia, a prefeitura de Itaúna disse em nota que a estação de tratamento da cidade já está em fase final de construção. A previsão é de que ela seja inaugurada ainda no primeiro semestre deste ano. 

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