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Prosa Poética, no programa Tarde Ponto Com, por Mary Arantes: 'Uma casa no campo'

Por Mary Arantes, 22/10/2020 às 16:57
atualizado em: 26/10/2020 às 14:44

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Foto: Arquivo Pessoal
Arquivo Pessoal
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Depois que li o livro, Os Catadores de Conchas, da Rosamunde Pilcher, fiquei com o sonho de envelhecer morando numa praia, numa casa simples, andar descalça ao amanhecer, catando conchas. Por mais que essa casa fosse simples, haveria de ter flores na jarra e cortinas de renda nas janelas, que seriam pintadas de azul.

Comentando isso outro dia, vários amigos me enviaram mensagens dizendo da casa dos seus sonhos. Nayara Andrade por exemplo, mora em BH num apartamento, mas jura que tem um mar no quintal!

Augusto Bezerril de láaaaa de Natal, tem uma casa imaginária, numa vila de pescador. Apesar de morar numa cidade litorânea, pouco se vai à praia. Tem verdadeira paixão por estórias desses mares e “plagas potis”.

Silvinha Fernandes me disse, que desde pequena, tem uma fazenda. Nela cultiva flores, muitas flores, com produção agrícola, tudo muito sustentável. Tem um rio que passa lá, o que deixa tudo muito mais agradável. Tem também vários animais, mas não abre mão das galinhas d’angola nos jardins. Reparem que ela disse jardins, o sonho dela é plural!

Mary Chiari é outra sonhadora, me disse: “Sabe que tenho uma casa no campo, toda construída em sonhos? Ela chega a ser tão real que abro a porta e sinto até o perfume dos lençóis. É pequena e muito simples, mas dentro, tem tudo o que amo. Só espera ser comprada ou construída e habitada. Por enquanto ela vive feliz no mundo das ideias”.

Ricardo Machado, proprietário da marca Ecolamps, me contou da casinha dos sonhos dele e da Lili, sua esposa. Tem até foto de como ela será, a cor da pintura, a quantidade de portas e janelas e as plantas que haverá de plantar e rodear esse ninho. 

Ricardo foi por muitos anos, comprador de multinacionais, lidava com cifras astronômicas, na escala dos bilhões. A pressão por resultados era imensa, assim como o estresse da função. Aos 28 anos, teve um AVC, que o fez repensar e ter um julgamento de valores de vida, completamente diferente do que tinha até então, que era ser gerente ou presidente de uma dessas empresas. Abandonou o emprego e tudo que deseja hoje é ter o mínimo de conforto e ser feliz. 

Ricardo lembra sempre da sua avó, Dona Lúcia, que diz: Rico não é quem tem muito e sim quem precisa de pouco. 

Pepe Mujica é o exemplo dessa frase da avó do Ricardo. O ex-presidente do Uruguai, é famoso por viver de forma espartana. Li outro dia um depoimento dele em que fala: “Eu não sou pobre. Vivo com apenas o suficiente para que as coisas não roubem minha liberdade”.

Se você tem uma casinha de sonhos, como a que Elis Regina canta em Uma Casa no Campo, não espere ela ser construída, vá alicerçando-a na sua cabeça, levantando paredes, pitando-as das cores dos seus sonhos, até chegar na cumeeira. Para que ela exista por fora e se torne real, é preciso que ela exista por dentro.

Ailton Krenak, intelectual e líder dos povos indígenas, em seu livro, Ideias para adiar o fim do mundo, confirma essa prosa e fala desse outro lugar que a gente pode habitar além dessa terra dura: o lugar do sonho.

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