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Preço, armazenamento, produção e eficácia: infectologista avalia vacina de Oxford contra covid-19

Infectologista Unaí Tupinambás acredita que vacinação no Brasil comece em março de 2021

Por Redação , 23/11/2020 às 10:21
atualizado em: 23/11/2020 às 10:42

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Médico acredita que vacinação comece em março no Brasil

A divulgação de eficácia média de 70% da vacina de Oxford contra covid-19 é uma excelente notícia que traz alento para os brasileiros. A avaliação é do infectologista Unaí Tupinambás, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e membro do Comitê de Enfrentamento da Covid-19 da Prefeitura de Belo Horizonte. Em entrevista à Itatiaia na manhã  desta segunda-feira, o médico destacou os pontos positivos do imunizante, que será produzido no Brasil pela Fiocruz. 

Ouça a entrevista completa aqui!

“Essa proteção de 70%, em média, pode ser um pouco mais e pouco menos, está acima da média que a gente estava aguardando. Estávamos esperando uma vacina de 50%, como a gente trabalha com a vacina influenza. Geralmente ela fica acima de 50%. Tem ano que fica até abaixo de 50%, a gente faz a campanha da influenza e isso tem impacto na internação de pessoas com quadro de gripe comum”, comparou. 

O laboratório britânico AstraZeneca e a Universidade de Oxford anunciaram nesta segunda-feira que a vacina contra a covid-19 que estão desenvolvendo tem eficácia média de 70,4%. Nos testes, a vacina foi administrada de duas formas diferentes: na primeira delas, os voluntários receberam metade de uma dose e, um mês depois, uma dose completa. Nesse grupo de voluntários, a eficácia foi de 90%. Já no segundo grupo, que recebeu duas doses completas da vacina, a eficácia foi reduzida a 62%. Esses dois resultados permitiram obter eficácia média de 70%. Essas conclusões foram possíveis a partir dos testes de fase 3 - a última etapa dos estudos - realizados na Inglaterra e no Brasil.

Unaí Tupinambás apontou também o preço como fator positivo em relação aos imunizantes desenvolvidos pela Pfizer e Moderna. 

“Uma vacina com 70% é uma ótima notícia. E mais: além de ser produzida no Brasil, ela vai custar em torno de R$ 12 ao passo que essa da BioNTe (Pfizer) em torno de R$ 110, R$120. E também essa vacina da BioNTe vai demorar a chegar no Brasil tendo em vista que a grande maioria da produção está voltada para Europa e os Estados Unidos. Então, acho que essa vacina (Oxford) é um grande alento para nós. Estamos aguardando também para esta semana ou semana que vem, no mais tardar, as notícias da Coronavac”, destacou o médio, referindo-se ao imunizante desenvolvido pela chinesa Sinovac e que está em fase final de testes.

“Acho que todas as vacinas vão ser ótimas. E qual é a melhor vacina? A melhor vacina é aquela que a gente vai ter acesso. Tem que pensar nisso. Nós não teremos acesso a essa vacina da RNA vírus (Pfizer e Moderna) em médio prazo. Essas vacinas, além de terem a questão de distribuição e armazenamento complexas, de menos 20 a menos 70 graus, terão preços mais altos. Essa vacina da Oxford é geladeira comum. E ela custar R$ 12. Com 70% de eficácia, vai ser ótima para nós, para controlar essa segunda fase da pandemia. A gente espera começar a vacina em março ou no início do outono do ano que vem”, prevê o médico.

Politização 

O infectologista também condenou a politização da pandemia, especialmente em torno da Coronavac. Ele lembrou que o Brasil vai precisar de mais de uma vacina para imunizar a população. 

“É uma vacina de uma plataforma que a gente já conhece há muito tempo, de vírus inativado, como da febre amarela, por exemplo. Ela também vai ter transferência de tecnologia”, defendeu.

“É uma tristeza ver essa postura do Ministério da Saúde, de politizar a compra da Coronavac só porque ela vem dos chineses. É uma tristeza. A gente já acha que os resultados dessa vacina serão muito bons também, em torno de 70% 80%. E é claro que vamos precisar de todas as vacinas disponíveis para imunizar um terço, um quarto da população até meados do ano que vem”, disse. 
 

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