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Podcast: 'A lei mudou, evoluiu, mas a prática é a mesma: homem matando mulher'

Último episódio do Atena traz relato de advogada que perdeu a mãe e, 20 anos depois, viu a irmã também ser vítima de violência doméstica

Por Alessandra Mendes , 10/06/2021 às 11:03
atualizado em: 10/06/2021 às 12:24

Texto:

Uma em cada três mulheres no mundo é ou foi vítima de violência doméstica ao longo da vida. Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde mostram exatamente isso: um terço das mulheres no mundo, o equivalente a 736 milhões de vítimas, sofrem violência física ou sexual ao longo da vida. 

Você querendo admitir ou não, o fato é esse: com certeza você conhece alguém que passa ou passou por essa situação. E você, o que fez para ajudar? O que faz hoje pra mudar isso? Uma em cada três mulheres significa que essa uma poderia ser sua mãe, ou sua irmã. Ou ambas. Infelizmente, foi assim com a Kércia.

O “Atena: elas por elas”, podcast da Itatiaia que se dedica a dar voz a mulheres vítimas de violência doméstica, disponibiliza nesta quinta-feira, 10, o seu décimo segundo e último episódio.

Desta vez, a história que você vai conhecer é da Kércia Pereira Dias, de 34 anos. Após perder a mãe, assassinada pelo próprio pai, ela viu a irmã também ser vítima de violência doméstica mais de 20 anos depois. Aos 30 anos, Ana Clara levou um tiro na cabeça do ex que não aceitou o término do relacionamento.

A Ana Clara sobreviveu, mas ficou com muitas sequelas. Hoje, após meses no hospital, ela está em casa, aos cuidados da família. “A gente tem que ter paciência sim, mas creio que  ela vai se recuperar e logo mais estar sentada aqui, conversando com a gente. Sei sim, pode demorar dois, três anos, mas eu creio e tenho fé nisso”, ressalta Kércia.

Depois de ver a mãe e a irmã serem vítimas do mesmo tipo de crime, apesar dos mais de 20 anos que separam um caso do outro, Kércia acredita que a mudança precisa ir para além das leis. “Por mais que tenha tido essa evolução legislativa, na prática continua a mesma coisa. Homem matando mulher. E é um caso atrás do outro. Em 1996 a gente não tinha tanta divulgação dos casos. Hoje, você vê um caso atrás do outro. Criaram um nome bonito, feminicídio, uma legislação muito bonita, mas que na prática não tá resolvendo, não tá salvando vidas. Mulheres estão morrendo o tempo todo por aí”.

No episódio “Elas por elas”, você vai conhecer esses e outros detalhes da história da Rafaela. E também vai entender como a história dela se cruza com a de outras mulheres cujas histórias foram contadas no podcast Atena. É o último episódio desse projeto que se dedica a dar voz a essas mulheres, discutir a dimensão desse problema e apontar caminhos para a construção de uma sociedade mais igualitária. 

Relatos reais

Atena é o resultado de cerca de dois anos de trabalho da repórter Alessandra Mendes, que ouviu vítimas e também mulheres que atuam no sistema policial e judicial para conter esses crimes. Através do podcast, lançado no dia 8 de março, essas mulheres, por anos silenciadas, vão contar suas histórias que poderiam ser de muitas outras por aí. Casos de mulheres que são mortas apenas pelo fato de serem mulheres. Casos de mulheres reais.

Acesso ao podcast

Para acompanhar o Atena, basta acessar as nossas redes sociais e encontrar o link para os episódios, que serão semanais. Na rádio, você também vai conferir parte desse material, mas ele completo, só mesmo no podcast. Uma nova possibilidade de você ouvir essas histórias, refletir sobre esse assunto tão importante e, juntos, mudarmos essa realidade.

Sintonize:
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Produção:
@manuantunes
@crisxavierbeauty
@joyfnsc
@agenciaghost

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