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Ministra Damares engrossa críticas contra série 'Cuties', da Netflix: 'É abominável', diz

A Netflix disse em um comunicado que o filme trata de um "comentário social contra a sexualização de crianças pequenas"

Por Estadão Conteudo, 15/09/2020 às 12:10
atualizado em: 15/09/2020 às 12:15

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Foto: Sérgio Lima
Sérgio Lima

A ministra Damares Alves, da pasta da Mulher, Família e Direitos Humanos, engrossou o coro formado por políticos de outros países contra o filme francês Lindinhas (Cuties, em inglês), lançado pela Netflix.

Premiado no Festival de Sundance e sem provocar polêmicas quando lançado na França, em agosto, Lindinhas é acusado de sexualizar jovens garotas.

Entenda

No centro da reação está a ideia de que Lindinhas está perigosa e irresponsavelmente sexualizando meninas pré-adolescentes, o que, ironicamente, é o que o próprio filme critica também.

A campanha contra a obra, que inclui pedidos para centenas de milhares de assinantes cancelem suas contas no Netflix, está repleta de imprecisões devido, em parte, ao fato de que alguns críticos não viram o filme (um afirma que há nudez infantil, quando não há).
 


"Estou brava, Brasil! Estou muito brava! É abominável uma produção como a deste filme. Meninas em posições eróticas e com roupas de dançarinas adultas", escreveu Damares. "Quero deixar claro que não faremos concessões a nada que erotize ou normalize a pedofilia! Quero aproveitar e dar um recado aos pedófilos que por anos têm vindo ao Brasil abusar de nossas crianças: no Brasil existe um governo que se importa de verdade em proteger as crianças e as famílias."

A batalha continuou no Twitter, no qual a ministra, respondendo a um usuário que perguntou se ela estava sabendo sobre o filme, afirmou: "Não vamos ficar de braços cruzados. Deixa comigo".

A Netflix disse em um comunicado que o filme trata de um "comentário social contra a sexualização de crianças pequenas".

Enredo

Escrito e dirigido por Maïmouna Doucouré, Lindinhas é sobre uma imigrante senegalesa de 11 anos chamada Amy (Fathia Youssouf), que vive em um subúrbio pobre de Paris com sua família muçulmana praticante.

Ela fica fascinada com um grupo de garotas rebeldes de seu colégio, que coreografam danças, usam tops curtos e saltos altos. Elas falam sobre Kim Kardashian e dietas, praticam "twerking" e riem dos meninos, além de tratar de assuntos relacionados ao sexo que elas ainda nem entendem.

A cineasta conta que o filme foi inspirado quando ela observou algumas meninas de 11 anos dançando "como costumamos ver em videoclipes", em uma reunião em Paris e que queria investigar por que essas meninas estavam imitando o comportamento adulto.

"Nossas meninas notam que, quanto mais uma mulher é excessivamente sexualizada nas redes sociais, mais ela tem sucesso. As crianças apenas imitam o que veem, tentando alcançar o mesmo resultado sem entender o significado", disse Doucouré. "É perigoso", completou (Com agências internacionais).

 

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