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Mergulhador de Capitólio conta como ajudou no socorro das vítimas de cânion

"Ninguém nunca imaginou essa fatalidade, é outro lugar agora", desabafa Washington Carvalho

Por com informações de Álvaro Damião , 14/01/2022 às 16:32
atualizado em: 14/01/2022 às 17:37

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Foto: Itatiaia / Reprodução
Itatiaia / Reprodução

Jovem trabalha com turismo desde pequeno em Capitólio

Washington Carvalho, 20 anos, se acostumou a pilotar lanchas e a mergulhar na represa de Furnas, na cidade de Capitólio, onde nasceu, no sul de Minas. Desde pequeno, trabalha com turismo de embarcação e tinha o costume de ir quase diariamente nos cânions.

Pai de um menino de um ano e meio, ele sempre viu os cânions como um lugar de diversão e sossego para turistas e moradores locais. Até o dia 8 de janeiro, sábado, quando um paredão se desprendeu, atingiu em cheio uma lancha e matou dez pessoas. Ele foi um dos primeiros mergulhadores a chegar ao local da tragédia e ajudou a localizar corpos e destroços das embarcações. 

Leia também: Sobrevivente relembra acidente em cânion: achei que ia morrer

No momento da tragédia, Washington navegava com um grupo de turistas em outro trecho dos cânions quando começou a receber insistentemente ligações telefônicas para saber se estava bem. Foi aí que a ficha caiu que algo tinha acontecido.

"Eu estava navegando com uma turma, meu pai me ligou preocupado querendo saber onde eu estava. Ele estava aflito. Quando falei que não estava perto (do ponto do desabamento) ele pediu para eu encontrar minha equipe. Estava todo mundo muito preocupado, minha tia, minha avó. Foram quase 500 mensagens querendo saber como eu estava", revela. 

Ele pegou a lancha e pilotou para o local da tragédia, que ainda não estava interditado pela Marinha. "Vim direto, peguei meu equipamento de mergulho e fui ajudar os bombeiros, fui um dos primeiros a chegar. Ajudei o pessoal porque eles estavam por todos os lados, e eu mergulhei em pontos específicos. Foi bem triste quando encontramos o primeiro corpo".  

Washington participou da homenagem às vítimas, feita por barqueiros, nesta semana. "O sentimento é de tristeza, mas ajudamos porque precisamos ajudar o próximo. E vai do amor que tenho pelo mergulho". 

A polícia e o Ministério Público investigam se alguma ação humana contribuiu para a tragédia ou se tudo foi uma fatalidade. A área está interditada para passeios e vai passar por vistoria, garantem as autoridades. Washington tem um certeza: "os cânions vão ficar totalmente diferentes. Nunca imaginei que (o paredão) podia cair, nenhum marinheiro nunca imaginou essa fatalidade. É outro lugar agora"

 

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