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Mercado de trabalho já apresentava queda antes do vírus e desemprego pode chegar a 16%, diz pesquisa

Por Agência Estado, 31/03/2020 às 16:22
atualizado em: 31/03/2020 às 16:32

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Foto: Roberto Parizotti
Roberto Parizotti

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada nesta terça-feira, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que o mercado de trabalho apresentava sinais de deterioração antes mesmo do avanço do novo coronavírus no Brasil. Se o cenário já não era animador, tende a ficar pior com a pandemia.

A taxa de desemprego, que ficou em 11,6% no trimestre encerrado em fevereiro, deve terminar 2020 com uma média de 13%, eles estimam, após chegar a 16% nos próximos meses.

Um dos sinais de preocupação mostrados é a diminuição do ritmo de melhora, observa o economista-chefe do ASA Bank, Gustavo Ribeiro. Ele ressalta que são os empregos sem carteira assinada que impulsionam a criação de vagas - um indício de menor qualidade do mercado de trabalho - e destaca que a massa salarial voltou a cair, de R$ 218,5 bilhões em janeiro para R$ 217,6 bilhões no mês passado. "Em suma, são dados mornos, mostrando piora mesmo quando se olha pelo retrovisor", diz.

A 4E Consultoria também notou outro dado preocupante. O mês de fevereiro teve a primeira queda no emprego com carteira assinada desde setembro de 2019, com retração de 0,06% em valores dessazonalizados, de acordo com cálculos da instituição. Para os próximos meses, o desemprego deve "aumentar significativamente", em razão da interrupção da atividade econômica causada pela pandemia do coronavírus, acredita a 4E, que estima que a taxa de desocupação deve terminar o ano a 13%.

Os impactos do coronavírus no mercado de trabalho, contudo, só devem aparecer nos dados da Pnad para o mês de maio, afirma o economista Lucas Godoi, da GO Associados. Nesse mês, ele acredita, os avanços vistos em janeiro e fevereiro já terão sido eliminados. A consultoria projeta aumento da taxa de desemprego média do ano para 13,8% em 2020, dos 11,9% em 2019, com forte retração no emprego informal.

"O governo e o Banco Central estão entrando forte para manter o trabalho (formal) nas pequenas e médias empresas. O setor informal, por outro lado, está sendo contemplado com medidas que são garantidoras de renda, não de trabalho e, por isso, deve haver essa redução", avalia o economista, que acredita que a taxa de informalidade - que foi de 40,6% em fevereiro - deve cair rapidamente, devido às medidas de distanciamento social para evitar o avanço do vírus.

Em relatório distribuído a clientes, a consultoria Pantheon, por sua vez, afirma que o desemprego vai aumentar de forma expressiva nos próximos meses a taxa deve chegar a 16% no segundo trimestre. No entanto, diz que essa projeção pode ser alterada para qualquer direção, uma vez que a pandemia ainda está em estágio inicial no Brasil.

Junto com o aumento do desemprego, também devem crescer a subocupação e o desalento, espera o economista Thiago Xavier, da consultoria Tendências. O desalento, contudo, deve ter avanço limitado, uma vez que os mais pobres não têm uma reserva de recursos e em algum momento vão voltar ao mercado de trabalho. Para ele, o desemprego deve subir com velocidade, mas, lá na frente, quando começar a cair, será de forma mais lenta.

"No fundo, devemos ampliar esse fluxo de transições entre desemprego, desalento e subocupação. Esse deve ser um ciclo vicioso para muita gente e, independentemente da categoria, é um quadro de deterioração, é uma condição de vulnerabilidade", afirma o economista, que estima desemprego médio de 13% ao fim do ano.

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