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Indígenas Xucuru-Kariri ocupam fazenda da Vale em Brumadinho

Grupo de mais de 50 pessoas está no local desde esta segunda-feira (22) em busca de um lugar para morar; Vale trata caso como 'ocupação irregular'

Arquivo pessoal
Foto: Arquivo pessoal

Indígenas ocupam território que pertence à Vale

Um grupo de mais de 50 indígenas da etnia Xucuru-Kariri ocupou uma fazenda que pertence à mineradora Vale, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte. Eles deixaram a cidade de Caldas, no Sul de Minas, onde viviam, e buscam um território onde possam viver. 

O cacique Arapowãnã diz que 58 pessoas, entre adultos, crianças e idosos estão no local neste momento. 

"Estamos com 58 pessoas, crianças, adultos e idosos e não temos para onde ir. Nossa briga, hoje, é por ter um território, onde possamos viver em harmonia. Queremos espçao para preserva a natureza, o meio ambiente, a água potável, os passáros. Somos guardiões", conta. 

A fazenda ocupada pelos indígenas fica próximo ao distrito de Córrego do Feijão, onde a Vale mantém a mina de mesmo nome. Em janeiro de 2019, uma das barragens da estrutura se rompeu, matando 270 pessoas e provocando danos ambientais em toda a bacia do rio Paraopeba. Ninguém foi punido pelo desastre. 

Ainda de acordo com o cacique, em setembro do ano passado, ele entrou em contato com a Fundação Nacional do Índio (Funai) para que lhes fosse assegurado um território, mas a resposta ainda não veio. 

"Eles mandaram a gente ficar aguardando e viver no provisório. Estamos assim até hoje. Nesse tempo, nós pesquisamos, sonhamos com um território que tinha casas abandonadas e uma foto de uma índia, como a que tem aqui em Brumadinho. A parte espiritual mostrou esse território para a gente", diz.  

Nesta segunda-feira (21), seguranças da Vale e policiais militares estiveram no terreno ocupado pelos indígenas Xucuru-Kariri. A mineradora trata o caso como "ocupação irregular" e diz que vai adotar os procedimentos cabíveis. A Vale frisou, ainda, que os Xucuru-Kariri não foram atingidos pelo rompimento da barragem em Brumadinho, ao contrário dos Pataxó e Pataxó Hã-Hã-Hãe, que firmaram um acordo com a mineradora. 

A Funai não respondeu aos questionamentos da reportagem.