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Chuvas em BH, a espera pelas obras: os problemas de quem mora próximo ao ribeirão do Onça

Novo capítulo da série mostra a situação das regiões Norte e Nordeste de Belo Horizonte

Por João Felipe Lolli, 20/01/2021 às 08:15
atualizado em: 09/02/2021 às 12:21

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Foto: Mara Damasceno/PBH
Mara Damasceno/PBH

Moradores enfrentam problemas no período chuvoso; prefeitura constrói canal e promete mais dois

Formado principalmente pelo ribeirão Pampulha e pelo córrego Cachoeirinha, o ribeirão do Onça é um dos importantes cursos d’água das regiões Norte e Nordeste de Belo Horizonte. Com cerca de 38 km de extensão, ele começa nas imediações dos bairros São Gabriel e Primeiro de Maio e desemboca no Rio das Velhas.

O ribeirão do Onça é o assunto do segundo capítulo da série de reportagens da Itatiaia sobre os problemas que os belo-horizontinos enfrentam no período chuvoso. É no início do curso d’água que os transtornos se tornam mais visíveis. Basta chover mais forte que alaga a região, plana e baixa, nas proximidades do fim da avenida Cristiano Machado com o início da avenida Risoleta Neves.

Ouça a reportagem de João Felipe Lolli

Morador do bairro há décadas, o comerciante Julio Serretti reclama da situação. “Eu moro aqui no São Gabriel há quase 40 anos e, desde então, são os mesmos problemas. Às vezes há uma maquiagem, que não se resolve. [O que precisa para resolver] é estudo, boa vontade e força de vontade. Os moradores têm que cobrar mais, participar mais, e quem administra a cidade também tem que olhar a parte dos moradores.”

A exemplo dos comerciantes do capítulo anterior, em que foi abordada a avenida Vilarinho, Julio afirma que, quando está para chover, cai o movimento. “Principalmente no meu segmento, não aparecem pessoas para fazer compras.”

Mônica Fernandes mora em uma parte mais alta no São Gabriel, mas conta que fica ilhada quando há inundação na Cristiano Machado. “Assim como o São Gabriel, ficam [os bairros] Ouro Minas e Dom Silvério, uma parte que não tem saída imediata para a BR. Quando o córrego do Onça enche, vêm os danos materiais para as famílias que moram às margens. Nos longos 40 anos que moro aqui, é o que agente vem acompanhando, e não tem melhoria.”

Quem também vê o drama há muito tempo é o líder comunitário Gladstone Otoni, que vive na região há 35 anos. “No Primeiro de Maio, as famílias não dormem no período de chuva, para ver que hora vai ter que levantar e sair correndo. Se tivesse uma gestão de peito, que chegasse e indenizasse as famílias, as tirasse da beira do córrego, fosse lá e fizesse aquela obra... Ninguém quer morar no perigo. Fazendo asfalto em cima e não tratando a ideia de que o rio existe, e ele é força, tem o espaço dele, vamos ter esse tipo de problema.”

Intervenções

Um canal para ampliar a vazão da água da chuva e a remoção de famílias de áreas próximas ao ribeirão do Onça são as principais ações da prefeitura na região. A obra tem sido realizada pela Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), órgão da prefeitura, com expectativa de ficar pronta até o fim do ano. Canais semelhantes também serão feitos no córrego Cachoeirinha e no ribeirão da Pampulha, sem data prevista para começar.

O secretário municipal de Obras e Infraestrutura, Josué Valadão, explica que a região é totalmente impermeabilizada, sem que a água da chuva tenha onde se infiltrar. “Você tem que deslocar essa água para essas piscinas, que vão se direcionar para o ribeirão do Onça. Esse aumento de vazão vai ocasionar o quê para baixo? Tem uma região ali no Aarão Reis, Ribeiro de Abreu que vai ter impacto”, diz.

“Já removemos mais de 500 famílias naquela região que ficava em área de alto risco hidrológico. No momento em que tivermos essa maior vazão, só podemos abrir isso quando para baixo as coisas estiverem resolvidas. Ao longo do ribeirão do Onça são várias intervenções no sentido de desocupar ocupação de risco e construir um parque ciliar”, completa.

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