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Compra do Twitter por Elon Musk pode afetar as eleições?

Polêmico, o empresário já deu sinais de que pode reativar contas suspensas em vez de combater a desinformação na plataforma

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Foto: Reprodução / Twitter

Bolsonaro chamou Elon Musk de 'mito da liberdade' por compra do Twitter

Elon Musk, além de ser o homem mais rico do mundo segundo ranking da Bloomberg, com patrimônio avaliado em US$ 273 bilhões (R$ 1,3 trilhão), é conhecido pelas polêmicas em que se envolve constantemente. Recentemente, ele fez uma oferta para assumir o controle do Twitter por US$ 44 bilhões (aproximadamente R$ 215 bilhões), mas a negociação acabou suspensa temporariamente.

Apesar de o empresário afirmar que está comprometido com a aquisição, ele diz que o acordo pode não ocorrer se a plataforma não provar que menos de 5% das contas são falsas. Uma das preocupações de especialistas sobre a operação é o fato de Musk se posicionar politicamente à direita e se declarar eleitor do Partido Republicano, do ex-presidente americano Donald Trump — que foi removido do Twitter em janeiro de 2021 por incitação à violência.

Conhecido pela imprevisibilidade, Musk sempre se coloca como defensor da liberdade de expressão, o que poderia significar a eliminação de suspensões já realizadas no Twitter, como a de Trump. Com a onda das fake news em todo o mundo, isso poderia representar um retrocesso global se a compra se efetivar. No Brasil, poderia ser ainda pior, uma vez que as eleições presidenciais de 2022 podem ser vítima de desinformação.

Arthur Igreja, especialista em tecnologia, inovação e tendências, diz que, com o histórico polêmico do empresário, nenhuma medida nesse sentido seria surpreendente. “É um tema preocupante e nebuloso, pois não se sabe ao certo o que Elon Musk faria”, aponta. 

Fake news nas eleições

Em um ano tão conturbado, polarizado e aquecido, uma mudança drástica no Twitter poderia trazer alguma turbulência? “Sim, mas não parece ser o que vai acontecer. O negócio — e as medidas associadas — possivelmente não vai se concretizar antes das eleições brasileiras de 2022. Por enquanto é só especulação, porque é difícil fazer qualquer prognóstico”, avalia Igreja. 

O especialista destaca que a linha de pensamento do Elon Musk é que tudo aquilo que não pode ser feito já está estabelecido em lei. “Para ele, as redes sociais não podem intervir. Se houver injuria ou estelionato na plataforma, o indivíduo deve buscar seus direitos de forma judicial”, explica. “Em um país como os EUA, isso talvez funcione com mais celeridade, mas não é o caso do Brasil.”

Na terça-feira (17) a plataforma Telegram e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formalizaram um acordo inédito para combater a desinformação — uma das medidas é a criação de um canal oficial do TSE na rede social para divulgar informações oficiais sobre as eleições. 

Esse tipo de tratado pode se tornar padrão no país para as demais plataformas. “É importante lembrar que a lei sempre se sobrepõe às políticas das empresas”, destaca Igreja. “O que acontece no meio digital é que, às vezes, as leis não existem ou são insuficientes, já que a tecnologia evolui de forma muito mais rápida do que o debate público e a própria legislação. É possível que determinados limites e acordos se tornem padrão e virem lei no futuro.”

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