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Com alimentos nas alturas, donos de restaurantes não conseguem mais segurar o preço do PF

Na capital mineira, comerciantes do setor tentam se virar para evitar que o preço espante o consumidor

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Por Com informações de Matheus Oliveira e Fernanda Viegas | 12/05/2022 às 08:01
Cantina do Sorriso/Redes sociais/reprodução
Foto: Cantina do Sorriso/Redes sociais/reprodução

Nesse cenário, está faltando dinheiro no vale-refeição dos trabalhadores

Se os preços exorbitantes dos alimentos têm maltratado as donas e donos de casa, não é diferente para os proprietários de restaurantes. E o prato feito, o famoso PF, que sempre foi um aliado do trabalhador na hora do almoço, em alguns lugares não tem sido tão convidativo assim. Em um ano, o preço subiu 23%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas.

Na capital mineira, comerciantes do setor tentam se virar para evitar que o preço espante o consumidor. Francisco de Assis Macedo, mais conhecido como Assis do Beco, tem dois restaurantes, ambos no Centro, o Beco e o Uai. Com mais de 30 anos de experiência no ramo, Assis relata o que mais tem pesado no bolso no preparo dos PFs.

“Não tem nada que está barato. Eu faço o prato no preço atual porque eu compro direto, não compro de atravessador, procuro o melhor preço pra ver se a gente sobrevive”, disse. Lá, por exemplo, o prato de filé de frango à milanesa, hoje, custa R$14. Antes da pandemia custava R $12. 

Ele afirma que, além dos alimentos, outros gastos  pesam no bolso. "Energia, água, passagem de ônibus… O Governo mandou fechar tudo, mas voltou cobrando todos os impostos,” completou. Ele disse que deve reajustar o valor na semana que vem. 

Proprietário do restaurante Cantina do Sorriso, no bairro São Lucas, Anderson Sorriso, também tem experiência quando o assunto é PF.

“O PF está em torno de R$24,90 a R$34,90. Não reajusto o valor desde o início da pandemia. Mas não sei até quando vou conseguir segurar. Mas eu procuro diversificar meu produto. Eu tiro duas horas do meu tempo todos os dias pra poder percorrer todos os estabelecimentos, todos os sacolões, onde eu tiro um pouquinho de cada com preço legal”, disse. 

Por coincidência, encontramos almoçando na Cantina do Sorriso alguém que conhece bem boa parte dos bares e restaurantes de BH, Marco Falcone, dono da cervejaria Falkie Bier e presidente da Federação Brasileira das Cervejarias Artesanais. Como consumidor, ele fala sobre essa alta dos produtos que compõem o PF.

“Eu acho que está sendo muito sofrido para o empresário. Eu até não consigo compreender como eles conseguiram segurar essa barra. A inflação está aí e ela é patente”, disse. 

Nesse cenário, está faltando dinheiro no vale-refeição dos trabalhadores. Adamilton Caldeira usa o cartão alimentação e almoça todos os dias fora de casa. Ele disse que a alta dos preços está pesando no bolso. “Confesso que eu não costumo fazer um planejamento em relação a custo, mas, de modo geral, nunca dá para o mês”, afirmou.

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