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Infectologista: ômicron explode em BH, mas vacina evita casos graves

Unaí Tupinambás, do comitê da PBH, pede que a população evite festas e eventos, já que a cepa é mais transmissível

Por Redação, 13/01/2022 às 17:16
atualizado em: 13/01/2022 às 18:39

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Foto: Reprodução/Youtube
Reprodução/Youtube

Com o aumento de casos de covid-19 e o avanço da variante Ômicron, Belo Horizonte deve enfrentar uma explosão de casos da doença nos próximos dias. O boletim de monitoramento já sinaliza que a capital está em nível vermelho e com leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e de enfermaria em 73,6% e 80,2%, respectivamente

Em entrevista ao Itatiaia Agora, o infectologista Unaí Tupinambás, do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 em BH, explicou que as festas de fim de ano, viagens, aeroportos e rodoviárias lotadas contribuíram para isso e recorda que em novembro, antes da Ômicron, o nível de transmissão estava baixo.   

“A Ômicron é (uma variante de) vírus que mais se transmite em toda a história que a gente já estudou. Se transmite mais do que o sarampo, que já era um vírus que se transmitia muito. A Ômicron colocou o sarampo no ‘chinelo’. Mesmo quem tomou vacina (contra Covid-19) e, mesmo quem já foi infectado anteriormente, pode se reinfectar”, explica o médico.

No entanto, Unaí destaca que as pessoas que se vacinaram com as três doses, principalmente, possuem um quadro clínico mais leve e com proteção de até 90%. Diferente de quem não se imunizou. “Mesmo que a proporção seja pequena, vão aparecer casos graves”, continuou.

Em países como a África do Sul, onde surgiu a cepa, e o Reino Unido, a Ômicron teve taxa de letalidade baixa e a curva de contaminação regrediu em poucas semanas. Em Belo Horizonte, a expectativa é de explosão de casos até o fim de janeiro. 

“Por isso que a gente está fazendo um apelo para população. Só a vacina não vai segurar. Vamos deixar bem claro que a vacina entregou o que prometeu, ela está protegendo as pessoas das formas graves. Você vê a redução de mortalidade e de quadro graves. Isso é uma boa notícia, claro. 

Unaí também citou recordes de mortes registradas nos Estados Unidos (EUA), onde existe um grupo de pessoas que não quer se vacinar.. “O que está segurando a tragédia maior no Brasil é a vacina. As pessoas que tomaram a vacina têm uma chance muito menor de evoluir para formas graves”.

Para o médico, medidas de segurança como o uso de máscara, higienização das mãos e o distanciamento físico são extremamente importantes para evitar a contaminação célere com a nova cepa. “É uma terceira ou quarta onda”, admitiu.

Leitos foram desmobilizados após redução de contaminados

Na entrevista, o infectologista esclareceu que o aumento na ocupação de leitos de UTI e de enfermaria leva como base a quantidade atual, que é inferior ao início da pandemia.

“A prefeitura sabidamente desmobilizou leitos. Então nós estamos com 140 leitos, se não me engano de CTI, nós temos capacidade de ter quase 700 leitos de CTI, 570 leitos de CTI. Então essa proporção não deixa a gente muito tenso porque isso tem capacidade de expandir. O que nos deixa preocupados é o número de pessoas. Aquela máxima que nós falávamos em 2020 no início da pandemia, achatar a curva. Eu acho que nós temos que achatar a curva da Ômicron. Impedir é impossível”, afirmou.

Eventos

A população deve evitar “eventos espalhadores”. “Esses eventos que estão nos deixando de cabelo em pé. A população tem que entender que nós estamos ainda em uma situação delicada”, ressaltou.

Tupinambás acredita que o ideal seria restringir algumas festas e shows, incluindo o Campeonato Mineiro com público nos estádios para evitar aglomerações pelo menos até final de fevereiro. Além disso, destacou que a vacinação em crianças de 5 a 11 em Belo Horizonte pode começar no sábado (15) ou na próxima segunda-feira (17).

Sobre o fechamento da cidade, o médico explicou que devido ao contexto social, econômico e político é muito “complicado”. “Nosso presidente nunca ajudou e só atrapalha. Então pra gente fazer um lockdown teríamos que ter um apoio do Governo Federal, coisa que eles não tiveram a governança, não centralizaram as ações e nós estamos pagando um preço muito alto nessa política de enfrentamento à pandemia”, disse.

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