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Celso de Mello divulga vídeo de reunião ministerial com Jair Bolsonaro citada por Moro

Por Redação, 22/05/2020 às 17:10
atualizado em: 22/05/2020 às 19:32

Texto:

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello autorizou na tarde desta sexta-feira a divulgação do vídeo da reunião ministerial em que, segundo o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, o presidente Jair Bolsonaro teria tentado interferir na Polícia Federal.

Leia a íntegra do que foi dito da reunião

Assista trecho da reunião:

Na semana passada, antes da decisão de Mello, o procurador-geral da República, Augusto Aras, defendeu no STF a divulgação somente das falas do presidente relacionadas à investigação. No parecer, Aras afirmou que a divulgação da íntegra contraria regras e princípios constitucionais de investigação

A Advocacia-Geral da União (AGU) defendeu a divulgação de todas as falas do presidente, mas pediu que o sigilo seja mantido no caso de falas de outras autoridades que estavam presentes sobre "nações amigas” e comentários “potencialmente sensíveis” do ministro das Relações Exteriores e da Autoridade Monetária (Banco Central). 

A defesa de Moro defendeu a divulgação da íntegra.

Desde a exoneração de Moro, o presidente nega ter pedido para o então ministro interferir em investigações da PF.

Em um dos trechos da degravação, Bolsonaro reclama de matérias jornalísticas contra membros de sua família e fala sobre o sistema de informações da Presidência.

“Prefiro não ter informação do que ser desinformado por sistema de informações que eu tenho. Então, pessoal, muitos vão poder sair do Brasil, mas não quero sair e ver a minha a irmã de Eldorado, outra de Cajati, o coitado do meu irmão capitão do Exército lá de Miracatu se f*, p*! Como é perseguido o tempo todo. Aí a b* da Folha de S.Paulo diz que meu irmão foi expulso dum açougue em Registro, que tava comprando carne sem máscara. Comprovou no papel, tava em São Paulo esse dia. O dono do restaurante, do açougue falou que ele não tava lá. E fica por isso mesmo. Eu sei que é problema dele, né? Mas é a p* o tempo todo pra me atingir, mexendo com a minha família. Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui! E isso acabou. Eu não vou esperar f* a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui pra brincadeira.”

Em outra parte da reunião, o presidente disse que não poderia ser surpreendido com notícias divulgadas pela imprensa.

“Eu tenho a PF, que não me dá informações. Eu tenho as inteligências das Forças Armadas, que não tenho informações. Abin (Agência Brasileira de Inteligência) tem os seus problemas, tenho algumas informações. Só não tenho mais porque tá faltando, realmente, temos problemas, pô! Aparelhamento etc. Mas a gente num pode viver sem informação. Sem info... quem é que nunca ficou atrás da porta ouvindo o que seu filho ou sua filha tá comentando. Tem que ver pra depois que e... depois que ela engravida, não adianta falar com ela mais. Tem que ver antes... depois que o moleque encheu os cornos de droga, já não adianta mais falar com ele, já era.”

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