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Amelinha revela a história por trás da canção 'Frevo Mulher', do ex-marido Zé Ramalho

Cantora cearense lançou o sucesso em 1979, no disco que também trazia a música 'Dia Branco'

Por Raphael Vidigal , 21/07/2021 às 16:49
atualizado em: 21/07/2021 às 17:02

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Foto: Murilo Alvesso/Divulgação
Murilo Alvesso/Divulgação

Amelinha e Zé Ramalho foram casados entre 1978 e 1983, e, juntos, tiveram dois filhos

Os primeiros passos da trajetória profissional de Amelinha, que completa 71 anos nesta quarta (21), foram dados com o apoio do conterrâneo Fagner. Na década de 1970, eles migraram juntos para São Paulo, na companhia de Belchior e Ednardo, e logo ficaram conhecidos como o “Pessoal do Ceará”. Professora do ensino fundamental, Amelinha trabalhava em uma petroquímica em sua cidade natal e “fugia dessa coisa de cantar”, até ser convencida pela insistência dos amigos mais próximos. Em São Paulo, Amelinha começou a cursar Comunicação Social, e, com produção de Fagner, ela estreou no mercado fonográfico com “Flor da Paisagem”, disco de 1977.

“Frevo Mulher” (frevo, 1979) – Zé Ramalho
Não deu nem tempo de o técnico de som apertar o botão e Dominguinhos já desfiava a sua sanfona. Além dele, participaram da gravação de “Frevo Mulher” o autor Zé Ramalho (no violão), Geraldo Azevedo (também ao violão) e Wilson das Neves (na percussão). “É uma explosão, uma energia contagiante”, define Amelinha, responsável por lançar o hit em 1979, no álbum homônimo que lhe valeu Disco de Ouro pelas mais de 100 mil cópias vendidas. A entrega da intérprete à canção tinha mais um motivo: ela era a musa da letra. Amelinha e Zé Ramalho haviam acabado de começar a namorar e se encontravam no Hotel Plaza, no Rio. Eles foram casados entre 1978 e 1983, e tiveram dois filhos. No estúdio, Zé Ramalho observava os compositores levarem músicas para Amelinha e serem recebidos com muita leveza e simpatia.

 

Logo, ele criou o verso “Quantos elementos amam aquela mulher”. O trecho “Quantos aqui ouvem os olhos de fé”, recebeu um acréscimo de Amelinha, que incluiu a palavra “eram”. “O Zé tem esse lado profético, visionário. E eu canto ‘eram’ como um testemunho”, declara a cantora, que percebe “uma estranheza de misturas planetárias” na canção. “Tem horas que parece tango, depois passa para uma coisa portuguesa, com influências árabes, da Turquia, meio indiano e com um acento muito forte do chão nordestino. O Zé tem uma forma de escrever com metáforas muito interessantes, ela é exótica. Tem gente que já me falou que nem sabe o que está cantando, mas gosta da música. Eu não sei explicar, cada um que ache o seu significado”, incentiva Amelinha. 

“Foi Deus Quem Fez Você” (canção, 1980) – Luiz Ramalho
Uma explosão tomou conta da vida de Amelinha em 1980. Meses antes, em agosto de 1979, ela havia dado à luz a seu primeiro filho, João. Em Fortaleza, a cantora recebeu a notícia de que Luiz Ramalho tinha uma música para ela. Como mãe e artista, ela admite que a jornada “era bem complexa”. “Naquele tempo, as pessoas eram mais confiáveis. Minha mãe e minha irmã, que é médica e realizou o meu parto, me ajudaram muito. Vim para o Rio com a babá”, lembra. Quando se deu conta, Amelinha cantava “Foi Deus Quem Fez Você” para uma multidão no Maracanãzinho. Classificada para a final, a canção tirou o segundo lugar no festival MPB-80 da Rede Globo. “Desde os ensaios, no Riocentro, notei que a música causava um impacto sobre a plateia. Os festivais eram um bom termômetro. O que tirou um pouco do sabor é que passaram a mostrar as canções antes, perdeu o charme da surpresa”, opina. 

 

Apesar de não faturar o prêmio, “Foi Deus Quem Fez Você” rendeu a Amelinha o seu primeiro Disco de Platina, com mais de um milhão de cópias vendidas. “Tiveram que correr para prensar um compacto duplo. Nem a gravadora acreditava que ia dar tanto certo. De vez em quando, alguém leva o disco intacto para eu assinar, com aquela capa lindíssima, onde eu estou com uns teares, cheia de penas, bem tropical”, revela. Dois anos depois, ela deu voz ao tema da trilha sonora da minissérie “Lampião e Maria Bonita”, da Rede Globo. Composta pelo então marido Zé Ramalho, “Mulher Nova, Bonita e Carinhosa Faz o Homem Gemer Sem Sentir Dor” batizou o seu álbum seguinte, de 1982.

“Dia Branco” (balada, 1979) – Geraldo Azevedo e Renato Rocha
“Dia Branco” ostentou durante muito tempo o título de canção brasileira mais executada em casamentos e, talvez, ainda hoje, esteja entre as primeiras nesse ranking romântico. A história de sua criação é curiosa. O batismo teria sido inspirado pelo famoso “Álbum Branco” dos Beatles, que, naquela época, fazia a cabeça de Geraldo Azevedo, pernambucano que rumou para o Sudeste a convite da cantora Eliana Pittman, em busca de oportunidades para seu trabalho. A travessia, no entanto, não foi das mais fáceis. Geraldo Azevedo levou nove anos até conseguir gravar o seu primeiro LP. Pode-se dizer que “Dia Branco”, parceria com Renato Rocha, ajudou a asfaltar o caminho que havia sido aberto com “Bicho de Sete Cabeças” dois anos antes. A canção dolente que derrete corações foi lançada por Amelinha, no LP “Frevo Mulher”.
 

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