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Aécio Neves avalia como 'positiva' participação de Bolsonaro na Cúpula do Clima; oposição critica

Deputado mineiro, que é presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, disse que houve uma mudança no tom em relação ao desmatamento

Por Redação , 22/04/2021 às 15:00
atualizado em: 22/04/2021 às 20:17

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Foto: José Cruz/Agência Brasil
José Cruz/Agência Brasil

O discurso feito nesta quinta-feira pelo presidente Jair Bolsonaro na Cúpula do Clima repercute no Congresso Nacional. O presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) da Câmara, o deputado Aécio Neves (PSDB-MG) avaliou como ‘positiva’ a fala de Bolsonaro. Segundo Aécio, houve uma mudança no tom em relação ao desmatamento e o governo federal entendeu a importância da agenda climática para a atração de investimentos.

A presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Kátia Abreu (PP-TO), também classificou o discurso como uma intervenção 'positiva'. A senadora ressaltou, porém, que a meta de zerar o desmatamento ilegal no País pode ser reduzida para 2025, cinco anos a menos do que o citado pelo chefe do Planalto na declaração. Kátia Abreu afirmou que deve apresentar um projeto de lei nesse sentido para votação no Senado.

Ela chamou a atenção para um discurso mais ameno em que o presidente da República não condicionou as metas do clima ao recebimento de recursos de países desenvolvidos. Na declaração, porém, Bolsonaro não deixou de fazer o pedido por ajuda financeira. "A intervenção brasileira foi positiva, na linha equilibrada do atual comando do Itamaraty, sem exigências inoportunas de contrapartidas financeiras, que poderiam ser vistas como um 'toma lá, dá cá'."

Carla Zambelli (PSL-SP) disse que Bolsonaro reafirmou o papel de liderança do Brasil na conservação do seu bioma e que o país está aberto à cooperação internacional. O ministro da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, disse que o Brasil é um dos países que mais preserva sua vegetação nativa e que 14% da mata protegida do mundo se deve ao nosso país.

Oposição contra

No entanto, a oposição fez duras críticas e afirma que Bolsonaro mentiu na conferência. “Em um ano mais de um milhão de campos de futebol desmatados. A gente desmata três vezes mais do que a meta para convenção do clima. Nesse sentido a fala de Bolsonaro é cínica, mentirosa, nojenta. Ele apresentou metas de redução de emissões de desmatamento que antes não constavam nem mesmo nos compromissos brasileiros”, disse a deputada Talíria Petrone, líder do PSOL.

A bancada do partido formalizou um pedido para que o Ministério Público Federal investigue uma denúncia feita por 400 servidores do Ibama sobre a paralisação das ações de fiscalização do órgão por decisão do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

A vice-líder da REDE, deputada Joênia Wapichana também criticou a fala de Bolsonaro sobre o aumento da fiscalização contra o desmatamento. “O que a gente viu por mentiras, fake news, aumentou o recurso ao combate do desmatamento onde? e a fiscalização cadê?”. Já o vice-líder do PT, deputado Bohn Gass, avalia que a situação de Salles, que participou da Cúpula do Clima ao lado de Bolsonaro, se tornou insustentável.

Repercussão internacional

O enviado especial dos Estados Unidos para questões climáticas, John Kerry, afirmou que os comentários do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Cúpula do Clima nesta quinta-feira, 22, foram "muito bons" e o surpreenderam. No evento virtual promovido pelo governo americano, Bolsonaro disse que ouviu o pedido de Biden para adoção de medidas mais firmes de preservação ambiental e se comprometeu a alcançar a neutralidade climática no Brasil até 2050.

Para isso, o líder brasileiro prometeu eliminar o desmatamento ilegal no País até 2030. Ele também voltou a pedir ajuda financeira internacional para a preservação ambiental no Brasil. O chefe do Palácio do Planalto já havia feito a cobrança em carta enviada a Biden na semana passada.

Durante a cúpula, que iniciou nesta quinta com a participação virtual de líderes mundiais, os EUA anunciaram a meta de cortar a emissão de carbono pela metade até o fim desta década. O governo americano anunciou ainda um plano de financiamento internacional voltado à questão climática. Na coletiva de imprensa, Kerry também disse que a conferência representa uma união global em torno do reconhecimento da crise climática.

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