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Nicolas Sarkozy, ex-presidente da França, começará a cumprir pena de 5 anos na próxima semana

Sarkozy será o primeiro ex-chefe de Estado francês a ser preso desde o fim da Segunda Guerra Mundial

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Ex-presidente da França, Nicolas Sarkozy, em discurso na Assembleia Geral da ONU em 2009
Ex-presidente da França, Nicolas Sarkozy, em discurso na Assembleia Geral da ONU em 2009

O ex-presidente da França, Nicolas Sarkozy, começará a cumprir a pena de cinco anos de prisão a partir do dia 21 de outubro. Ele foi condenado por supostamente financiar de forma ilegal a campanha eleitoral de 2007, informaram fontes à AFP nesta segunda (13).

Sarkozy será o primeiro ex-chefe de Estado francês a ser preso desde o fim da Segunda Guerra Mundial, quando Philippe Pétain acabou atrás das grades por colaborar com a Alemanha nazista durante o regime de Vichy.

Em 25 de setembro, um tribunal de Paris condenou Sarkozy por associação criminosa e, embora ele tenha recorrido alegando inocência, a justiça ordenou a execução provisória da sentença devido à "gravidade excepcional dos fatos".

O julgamento do recurso ocorrerá em Paris nos próximos meses, em data ainda a ser definida.

A condenação não é a primeira do ex-presidente conservador, chefe de Estado entre 2007 e 2012. Ele já tem outras duas por corrupção, tráfico de influência e financiamento ilegal de campanha em 2012.

Embora outros chefes de Estado europeus já tenham sido presos, como o ditador grego Georgios Papadopoulos, por alta traição na década de 1970, Sarkozy será o primeiro de um país que já faz parte da União Europeia.

"Dormirei na prisão de cabeça erguida. Sou inocente", reagiu o marido da cantora, modelo e atriz Carla Bruni ao saber da sentença, em setembro.

O ex-presidente cumprirá sua pena na prisão de Santé, na capital. Para garantir sua segurança, ele poderá acabar em uma ala para presos "vulneráveis" ou ficar em isolamento.

"Injustiça insuportável"

O ex-presidente compareceu ao tribunal de Paris no início da tarde desta segunda-feira para saber a data de sua entrada na prisão. Ele se retirou em um carro com vidros fumê e não prestou declarações, informou a AFP.

Suas críticas nas últimas semanas a uma "injustiça insuportável" e à suposta politização dos juízes contra ele conquistaram o apoio de setores da direita e da extrema direita.

Durante um "drinque de despedida" na noite de quarta-feira, ele chegou a se comparar a Alfred Dreyfus, um militar francês judeu falsamente acusado há 130 anos de espionagem para a Alemanha, em um caso que marcou a França, segundo o jornal Le Figaro.

O presidente atual, o centro-direitista Emmanuel Macron, se viu obrigado a sair em defesa da justiça. O MP abriu uma investigação por ameaças nas redes sociais contra a juíza encarregada do caso.

Sarkozy foi condenado por permitir que seus assessores se aproximassem da Líbia do então presidente Muamar Kadhafi, a fim de obter fundos para financiar ilegalmente sua campanha de 2007, que o levou ao poder. Kadhafi foi morto em 2011.

Embora o processo não tenha permitido demonstrar que o dinheiro foi usado em "última instância", a sentença ressalta que os recursos saíram da Líbia e por isso o ex-presidente foi condenado por associação criminosa.

*Com AFP

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