O Canadá fechou um acordo de 4,2 bilhões de dólares (R$ 24 bilhões, na cotação atual) com a Austrália para desenvolver um sistema de radar para o Ártico, anunciou o primeiro-ministro canadense, Mark Carney.
O anúncio foi realizado durante uma visita de Carney a Iqaluit, no Ártico canadense, a última etapa da primeira viagem feita pelo primeiro-ministro desde que assumiu o cargo. O acordo faz parte dos esforços para reafirmar a soberania canadense no Ártico, segundo a AFP.
“As instituições e normas internacionais que mantiveram o Canadá seguro são, agora, questionadas. E as prioridades dos Estados Unidos, nossos aliados, que estavam estreitamente alinhadas às nossas, começam a mudar. Não podemos, nem devemos, recorrer primeiramente a outros para defender a nossa nação”, disse Carney.
A Austrália é líder em radares “over-the-horizon”, um sistema avançado que permite o rastreamento contínuo de ameaças em áreas extensas. A nova rede, que vai substituir um sistema da época da Guerra Fria, permitirá detectar e dissuadir “ameaças em todo o Norte”, informou o gabinete do primeiro-ministro.
Ottawa também vai fortalecer sua presença militar no extremo norte. Os fundos para modernizar o radar no Ártico foram anunciados pelo governo anterior, mas a decisão de se associar à Austrália foi divulgada hoje.
O Canadá havia priorizado a segurança do Ártico antes mesmo do retorno de Trump à Casa Branca, temendo uma possível agressão russa, já que o derretimento do gelo causado pelas mudanças climáticas expõe cada vez mais a região à extração de recursos.
O governo canadense anunciou neste mês três novos centros militares no Ártico, com pistas de pouso e depósitos de equipamentos.