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Israel realiza 60 ataques em dois dias e mata ao menos 45 pessoas na Faixa de Gaza

Autoridades internacionais repercutiram a ofensiva israelense que matou civis e crianças que estavam em um campo de refugiados

Após um bombardeio em Gaza, que segundo autoridades matou 45 pessoas, Israel tem sido alvo de uma série de condenações internacionais nesta segunda-feira (27). As vítimas eram pessoas deslocadas para Rafah, no sul da Palestina, local governado pelo grupo terrorista Hamas.

Em resposta, Israel está investigando o bombardeio que realizou no domingo (26) e afirmou que os alvos da ofensiva eram os milicianos do Hamas. Os militares israelenses afirmaram que os aviões atingiram uma instalação do Hamas em Rafah.

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“Estamos investigando. Qualquer perda de vidas civis é grave e terrível”, disse o porta-voz do governo israelense, Avi Hyman, em entrevista coletiva, garantindo que Israel “tenta limitar as vítimas civis”.

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Corpos Carbonizados

Israel atacou a região horas depois que o Hamas disparou foguetes contra a cidade israelense de Tel Aviv e regiões centrais do país. A ofensiva do Hamas foi neutralizada pelas forças militares israelenses e, até o momento, não houve vítimas.

Conforme a agência civil de Gaza, o bombardeio de Israel causou um incêndio em um campo de deslocados em Rafah. “Vimos corpos carbonizados (…) Também vimos amputações, crianças feridas, mulheres e idosos”, afirmou Mohamed al Mughayyir, funcionário da agência.

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Um sobrevivente também detalhou a situação: “Tínhamos acabado de terminar a oração noturna (...) nossos filhos estavam dormindo, de repente ouvimos um barulho alto e vimos fogo por toda parte. As crianças gritavam, o barulho era assustador”.

Em imagens feitas pelo Crescente Vermelho palestino, é possível ver a correria e o desespero dos civis e das equipes de resgate que atuaram no local. Já o Comitê Internacional da Cruz Vermelha afirmou que o hospital de campanha da organização está recebendo um alto fluxo de feridos que buscavam cuidados para ferimentos e queimaduras.

Equipes da AFP registram imagens nesta segunda-feira (27) que mostram resto de tendas queimadas e as famílias palestinas observando o que sobrou dos abrigos.

Repercussão internacional

A Organização das Nações Unidas exigiu que Israel realize uma investigação completa e transparente sobre a ofensiva. Já Emmanuel Macron, presidente da França, pediu o fim dessas operações.“Não há áreas seguras em Rafah para civis palestinos. Apelo ao pleno respeito pelo direito internacional e a um cessar-fogo imediato”, afirmou nas redes sociais.

Joseph Borrell, chefe da diplomacia da União Europeia, afirmou que está horrorizado com as notícias vindas de Rafah sobre os ataques israelenses. “Mataram dezenas de pessoas deslocadas, incluindo crianças”, afirmou.

O Egito afirmou que a ofensiva de Israel foi um “ataque a civis indefesos”. A Jordânia acusou Israel de cometer “crimes de guerra” e a Arábia Saudita condenou “os contínuos massacres cometidos pelas forças de ocupação israelenses”.

Já a Turquia prometeu fazer “todo o possível para responsabilizar os bárbaros e assassinos”.

O Catar, que atua como mediador com os Estados Unidos e o Egito para conseguir uma trégua no conflito e a libertação dos reféns detidos pelo Hamas em Gaza, alertou que o bombardeio poderia “dificultar” as negociações.

O presidente da União Africana, Mousa Faki Mahamat, estimou que “Israel continua violando o direito internacional impunemente e desconsidera uma decisão da CIJ há dois dias que ordenou o fim da sua ação militar em Rafah”.


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