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Jornalista revela ao vivo que teve irmã abusada pelo pai e sofreu abuso sexual do tio

Aleart, apresentador do telejornal “De 12 a 14”, sendo uma das principais figuras do canal, contou sua história por 27 minutos

O jornalista argentino Juan Pedro Aleart fez uma acusação de abuso sexual e contou sobre sua experiência com um pai abusivo neste sábado (20). O anúncio foi feito no noticiário do canal 3 de Rosário, na Argentina, com uma história chocante e inusitada.

Não foi com notícias políticas, nem sobre a economia do seu país. Nem foi sobre o narcotráfico que assola a sua cidade ou um gol extraordinário de Lionel Messi, que também é um argentino nascido em Rosário.

Desta vez, era uma história pessoal chocante, que repercutiu em todo o país, a ponto de que todos os canais nacionais de rádio como de televisão o procuraram para entrevistá-lo.

Aleart, é apresentador do telejornal “De 12 a 14" e uma das principais figuras do canal também conhecido como eltresTV, que dedicou quase 27 minutos para contar a história de sua infância com um pai abusivo.

“Vocês me conhecem, trabalho na mídia há 18 anos. Contei muitas histórias e é a primeira vez que vou contar a minha, a minha própria história de vida”, disse o jornalista.

“Tenho um desejo profundo de, através do que aconteceu comigo, ajudar muitas pessoas que estão passando por momentos difíceis e que estão passando ou passaram por uma situação semelhante à minha. Digo a vocês que há muitos anos, há cerca de uma década, tomei a decisão de me distanciar do meu pai e, gradualmente, do resto da minha família paterna. Havia coisas que não me agradavam, que me faziam mal, que me machucavam”, contou ele.

O jornalista disse, ainda, que nunca desistiu de buscar a verdade.

“A verdade do que realmente estava acontecendo na minha casa, na minha família e dentro de mim. No ano passado denunciei meu pai por violência doméstica. Meu pai tem sido violento em todas as suas formas: física, psicológica e emocional. Ele aterrorizou todos os membros da minha família, inclusive eu. Apresentei a queixa à minha irmã mais nova — sou o mais velho de três filhos”, explicou o jornalista.

“O que procurávamos era que minha irmã ficasse um pouco mais calma, porque toda vez que ela cruzava o caminho do meu pai em qualquer circunstância ela tremia de medo. Eu sou testemunha disso. Pálida. Terror. Ataques de pânico”, disse o jornalista no ar.

“Meu pai, além de violento, abusou sexualmente da minha irmã desde os 3 anos de idade, sendo HIV positivo. Isso causou sérios, gravíssimos problemas de saúde de todos os tipos à minha irmã. Felizmente ele não a infectou, mas sou testemunha de seus ataques de pânico, ataques profundos de ansiedade, insônia, queda de cabelo e perda de peso corporal”, continuou contando.

“E eu sei que em diversas ocasiões ela pensou em tirar a própria vida, em decorrência de tudo que meu pai fez com ela. A convenci a apresentar queixa-crime. Ela fez a denúncia, apresentou laudo psicológico e eu fui testemunha. Porque meu pai abusou sexualmente da minha irmã na minha frente quando eu era criança. Ele abusou sexualmente da minha irmã e fez tudo parecer uma brincadeira”.

Ele seguiu relatando:

“Minha mãe foi vítima de tudo isso e cúmplice. Meu pai foi notificado da queixa criminal há três semanas. Descobrir isso foi uma notícia muito chocante, profundamente triste. Mas meu pai tomou essa decisão desde o momento em que decidiu abusar da própria filha, desde que ela tinha 3 anos, com HIV.”

Em meio a sua fala, Juan Pedro Aleart deixou um recado para a irmã.

“Quero te dizer, Sofi, que o filme de terror acabou. Que o monstro decidiu ir embora para sempre e nunca mais te machucar. O que falta agora é você construir a sua vida. A vida pela qual você lutou tanto e que tanto merece, com liberdade. Você é livre. Vamos voar, Sofi, vamos voar.”

Depois de contar publicamente sobre os abusos contra a irmã, Aleart continuou com mais revelações.

“Enquanto tudo isso acontecia na minha casa, uma casa com um pai violento e abusivo, uma mãe que era vítima e cúmplice ao mesmo tempo, uma casa onde se naturalizavam o abuso e a violência, um tio em quem eu confiava, que cumpriu em muitas situações o papel de pai comigo, aquele tio aproveitou-se do contexto de extrema vulnerabilidade em que eu me encontrava e abusou sexualmente de mim e do meu irmão a partir dos 6 anos.”

Alerart contou sobre o abuso que sofreu do tio logo em seguida.

“Quando eu tinha 12, 13 anos, com as poucas ferramentas que tinha, percebi na minha casa que isso estava acontecendo. Denunciei tudo, mas, como você pode imaginar, numa casa como essa, meus pais não fizeram nada. Continuei sendo abusado continuamente. E meu irmão também.”

“Eu o denunciei no final de 2022. Para mim, fazer a denúncia foi muito difícil. Me animei a fazer, mesmo sendo uma figura pública, mas consegui. Há muitos meses que estou, conscientemente, numa fase profunda de depressão. Vir aqui tem sido muito difícil, trabalhar com o noticiário com tudo isso dentro de mim. É por isso que eu quis começar o programa contando a vocês, porque eu não aguentava mais.”

Ele contou, também, que tem sofrido de depressão profunda.

“Eu vinha aqui para trabalhar no carro chorando. Fazia ‘Dos 12 aos 14' por meses com um nó na garganta. Me trancava no camarim para chorar e voltava para casa sem querer ver ninguém ou conversar com ninguém. Eu estava em uma crise de angústia profunda. Perdi o sentido da vida. Não tinha vontade de rir.”

“Fiz muita terapia e faço muita terapia. Faço segunda, terça, quinta, sexta, duas horas seguidas, mais finais de semana quando necessário. Isso e o amor e a amizade de um pequeno grupo de pessoas foi o que me fez continuar.”

Por fim, Aleart dirigiu-se aos homens vítimas de abuso sexual.

“Eu sei como é: é degradante, é constrangedor. Sei que muitos não contaram às suas esposas, aos seus filhos, aos seus amigos, aos seus psicólogos. Quero lhe dizer que a única maneira de curar é usando palavras, falar sobre isso, denunciar. O silêncio é o melhor amigo dos abusadores. Vamos aprender com as mulheres que são corajosas e que denunciam. Conversem, busquem ajuda, encorajem uns aos outros. É o único jeito”, encerrou ele.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia da Itatiaia. Comunicativa e ligada as redes sociais, entretenimento e cidades.
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