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Japão busca retomar vantagem tecnológica com ajuda de investimento externo

O Japão ficou apenas em 32º lugar na última classificação de competitividade digital da escola suíça de administração IMD

A partir de grandes investimentos, tanto locais quanto estrangeiros, o Japão possui a oportunidade de recuperar sua liderança em tecnologia, mas se quiser se tornar uma alternativa convincente à China terá que inovar rapidamente em IA e semicondutores, apontam fontes do setor.

Gigantes tecnológicos americanos destinam bilhões de dólares em inteligência artificial (IA), cibersegurança e produção de semicondutores no Japão, que dominou o setor nos anos 1980.

Google lançou em março um centro regional de defesa cibernética no Japão, e o Amazon Web Services investirá um total de 14 bilhões de dólares para ampliar a infraestrutura japonesa de nuvem.

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Por sua vez, a Microsoft, parceira da OpenAI, a empresa criadora do robô ChatGPT, comprometeu-se esta semana a investir 2,9 bilhões de dólares em inteligência artificial no Japão.

Microsoft planeja igualmente oferecer treinamento em inteligência artificial a três milhões de pessoas no país, que conta com uma população de 125 milhões.

Khos-Erdene Baatarkhuu, CEO da empresa tecnológica AND Global, comentou que “as tensões geopolíticas tornaram o Japão um parceiro mais atraente e estável em comparação com a China”.

“O setor tecnológico japonês, que antes era líder, perdeu terreno devido à sua lenta resposta às tendências digitais e móveis, em comparação com países vizinhos como a Coreia do Sul”, disse à AFP.

“Mas agora, com políticas governamentais de apoio, empresas emergentes resilientes e um cenário tecnológico potencialmente mutável, o Japão tem a oportunidade de recuperar sua vantagem tecnológica.”

Entretanto, o arquipélago ainda não chegou lá, muito pelo contrário.

O Japão ficou apenas em 32º lugar na última classificação de competitividade digital da escola suíça de administração IMD.

Além disso, apenas sete empresas japonesas aparecem entre mais de 1.200 “unicórnios” tecnológicos (empreendimentos avaliados em mais de 1 bilhão de dólares) na lista da CB Insights.

Nesse sentido, Khos-Erdene explicou que “a cultura corporativa tradicional do Japão tende a evitar riscos e ser hierárquica, o que impede a rápida inovação característica da indústria de tecnologia da informação”.

A chave da inteligência artificial

Masayoshi Son, CEO do SoftBank Group, um veículo financeiro de investimentos tecnológicos, alertou que o país se tornará irrelevante caso ignore a IA. “Acorda, Japão!”, declarou em outubro em um evento corporativo. “Quero estar do lado da evolução”.

Son e vários executivos de gigantes tecnológicos como Tim Cook da Apple e Jeff Bezos, fundador da Amazon, estiveram com o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, e o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, na quarta-feira em um jantar na cidade de Washington.

Nesse dia, Kishida e Biden se comprometeram a fortalecer “nosso papel compartilhado no desenvolvimento e proteção de tecnologias emergentes de nova geração”.

Também concordaram em trabalhar com outros países “para fortalecer a cadeia global de suprimentos de semicondutores”.

Os semicondutores, essenciais em diversos dispositivos como celulares e carros, tornaram-se um campo de batalha nos últimos anos. Estados Unidos e alguns países europeus bloquearam as exportações de tecnologia de semicondutores, com medo da China usá-los para fins militares.


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