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Após pedido de Biden, Netanyahu promete ‘passagem segura’ em Rafah em meio a bombardeios

Israel disse que manterá ataques a cidade que liga Faixa de Gaza ao Egito, mas que há zonas seguras para passagem de civis

PALESTINIAN-ISRAEL-CONFLICT

Moradores observam ruínas de um prédio atingido por bombardeios de Israel em Rafah, ao sul da Faixa de Gaza, próximo à fronteira com o Egito

SAID KHATIB / AFP

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse ao premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, que uma operação militar na cidade de Rafah, no sul de Gaza, não deve acontecer a menos que um plano “garanta a segurança” da população, informou a Casa Branca neste domingo (11). Biden “reiterou sua opinião de que uma operação militar em Rafah não deve ser realizada sem um plano crível e realizável que garanta a segurança e o apoio aos mais de um milhão de pessoas que estão lá", afirmou a Casa Branca em um resumo da conversa mantida neste domingo por ambos os líderes.

Por sua vez, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, garantiu que dará uma “passagem segura à população civil” antes da ofensiva na cidade de Rafah, e rejeitou os temores de uma “catástrofe”, em uma entrevista televisiva transmitida neste domingo (11).

Diante da preocupação da comunidade internacional sobre um potencial massacre nesta cidade que abriga mais de um milhão de palestinos deslocados, Netanyahu afirmou que a ofensiva é fundamental para destruir o Hamas.

“Aqueles que dizem que não se deve entrar em Rafah estão dizendo, na realidade, que é preciso perder a guerra e deixar o Hamas no lugar”, declarou o premiê israelense na entrevista à ABC News. “A vitória está a nosso alcance. Nós vamos conseguir. Vamos acabar com os batalhões terroristas restantes do Hamas e com Rafah, que é o último reduto”, acrescentou.

Segundo o premiê, as forças israelenses realizarão a ofensiva enquanto dão “uma passagem segura à população civil para que possa sair” da cidade, afirmou, mencionando que estão trabalhando em um “plano detalhado”.

Netanyahu citou áreas do norte de Rafah que foram liberadas e poderiam ser usadas como zonas seguras para civis.

O movimento islamista palestino alertou, por sua vez, para a possibilidade de “dezenas de milhares” de vítimas neste território.

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Segundo o alto representante da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, uma ofensiva em Rafah causaria “uma catástrofe humanitária indescritível”.

Os Estados Unidos, principal aliado e apoio militar de Israel, não são favoráveis à ofensiva terrestre em Rafah e alertaram que, se não idealizados de forma apropriada, os planos para invadir este território poderiam causar um “desastre”.

O presidente norte-americano, Joe Biden, disse a Netanyahu durante um conversa neste domingo que uma operação militar em Rafah “não deve ser executada sem um plano crível e realizável que garanta a segurança e o apoio aos mais de um milhão de pessoas que estão lá", informou a Casa Branca.

Os números de Netanyahu

O Ministério da Saúde em Gaza afirma que a incessante ofensiva israelense em resposta aos ataques de 7 de outubro deixou pelo menos 28.176 mortos, a maioria deles mulheres e crianças. No entanto, Netanyahu disse à ABC News que o número de civis, comparado ao total de mortes, é muito menor.

“Posso dizer que, segundo nossos especialistas em guerra urbana e outros analistas, reduzimos a proporção de terroristas frente às vítimas civis para menos de 1 para 1 (...) e faremos mais”, afirmou.

Segundo o primeiro-ministro, as forças israelenses “mataram e feriram mais de 20 mil terroristas do Hamas, incluindo 12 mil combatentes”. Ele não especificou a diferença entre “terroristas” e “combatentes”.

O último balanço israelense do conflito foi divulgado em 9 de janeiro, quando anunciou a morte de cerca de 9.000 combatentes do grupo islamista palestino.

Biden fez duras críticas a Israel na quinta-feira, classificando a resposta israelense ao ataque do Hamas como “excessiva”.

Sobre esta questão, Netanyahu disse que aprecia o “apoio de Biden a Israel desde o início da guerra”, mas que não “entende exatamente o que quis dizer com esta declaração”.

O conflito eclodiu em 7 de outubro, quando combatentes do Hamas mataram cerca de 1.160 pessoas, a maioria civis, e sequestraram em torno de 250 no sul de Israel, segundo um relatório da AFP baseado em dados oficiais israelenses.

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AFP
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