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Em protesto, agricultores franceses fecham rodovias; Governo Francês convoca reunião

Agricultores denunciam a queda de receita, baixas aposentadorias, complexidade administrativa, inflação das normas ambientais e concorrência estrangeira

Agricultores franceses começaram a bloquear, nesta segunda-feira (29), diversas rodovias em torno de Paria para denunciar a situação econômica em que se encontram, com um embate cada vez mais forte com o governo francês.

Símbolo da pressão crescente, o presidente francês, Emmanuel Macron, convocou vários dos seus ministros para uma reunião que teve início às 15h15 (horário local), depois de ter permanecido em segundo plano desde o início dos protestos, há 11 dias, indicou a Presidência.

Cerca de 60 quilômetros a noroeste da capital, a rodovia A13 foi parcialmente bloqueada perto de Buchelay e, do outro lado de Paris, foram instalados os primeiros tratores em ambos os lados da A4, na passagem por Jossigny.

Os agricultores denunciam a queda de receita, as baixas aposentadorias, a complexidade administrativa, a inflação das normas ambientais e a concorrência estrangeira, especialmente o acordo negociado entre a União Europeia e os países do Mercosul.

Na sexta-feira (26), o primeiro-ministro, Gabriel Attal, anunciou uma série de medidas, como a eliminação do aumento da taxa do diesel para uso não agrícola e a ajuda a setores em crise, mas o setor considerou-as insuficientes.

O sindicato agropecuário majoritário, FNSEA, e os Jovens Agricultores convocaram um “cerco da capital por tempo ilimitado”.

“Aumentamos a pressão porque percebemos que, quando se está longe de Paris, a mensagem não chega”, disse o líder da FNSEA, Arnaud Rousseau, à rádio RTL, acrescentando tem um encontro “previsto” com Attal .

O ministro da Agricultura, Marc Fesneau, indicou na rede France 2 que novas medidas seriam anunciadas “em 48 horas”.

As autoridades, que até agora evitaram conter os protestos, mobilizaram 15 mil policiais e gendarmes para impedir o bloqueio dos aeroportos parisienses e do importante mercado

atacadista de Rungis, a cerca de sete quilômetros da capital, aonde se dirigem aproximadamente 30 tratores que partiram do sudoeste pela manhã.

“Não somos bandidos. Só queremos respostas, porque este é o nosso último comboio, a nossa última luta pelos agricultores (…) É uma questão de sobrevivência”, disse à AFP Karine Duc, membro do sindicato Coordenação Rural.

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Problemas de custos

O setor agrícola é culturalmente importante na sétima economia mundial, embora o seu peso no PIB tenha caído drasticamente de 18,1% em 1949, no período de reconstrução após a Segunda Guerra Mundial, para 2,1% em 2022, segundo dados oficiais.

Os agricultores receberam sinais de apoio nos últimos dias. Na manhã desta segunda-feira, a ONG Greenpeace exibiu uma faixa na Pont de la Concorde, em Paris, com o slogan: “Apoio aos agricultores. Parem os acordos de livre comércio” (em tradução livre).

O acordo comercial negociado desde 1999 entre a União Europeia e o Mercosul está no centro das atenções na França. Embora Attal tenha garantido, na sexta-feira, que não aprovaria a sua assinatura, a pressão permanece.

O eurodeputado de extrema direita Jordan Bardella apelou ao presidente Emmanuel Macron para defender, ante a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, os agricultores franceses contra os “carros alemães” nesta negociação.

Embora a exigência de tornar as normas ambientais europeias mais flexíveis, como o menor uso de pesticidas, não seja compartilhada por todos os sindicatos, uma melhor remuneração e o fim das importações são exigências globais, não apenas na França.

“Não é um problema de preços. Este é um problema de custos [de produção] que nos levam à ruína”, disse o líder do sindicato agrícola Asaja, Pedro Barato, à rádio espanhola Cope, antecipando protestos na Espanha a partir da próxima semana.

A raiva agrária foi ouvida em vários países da UE, como Alemanha, Polônia e Romênia. No domingo, agricultores belgas em tratores bloquearam uma importante rodovia apelando a mudanças na Política Agrícola Comum europeia (PAC).

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AFP
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