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Mão de obra humana é mais barata que a inteligência artifical, diz estudo do MIT

FMI alerta que 40% dos empregos podem ser afetados pela IA, mas o ritmo da mudança deve ser gradual; apontam pesquisadores

A Inteligência Artificial (IA) já começou a transformar o mundo dos audiolivros, com sua capacidade de gerar locuções fluidas sem utilizar um narrador humano

A Inteligência Artificial custa mais caro para as empresas do que a mão de obra humana, indica MIT

Image ilustrativa/ Freepik

À medida que as ferramentas de inteligência artificial (IA) se tornam cada vez mais populares, uma nova pesquisa sugere que a economia mundial não está preparada para substituir a mão de obra humana por robôs.

Na semana passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que quase 40% dos empregos em todo o mundo podem ser afetados pela IA e a tendência deve aumentar a desigualdade social.

No entanto, um estudo do IMT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) descobriu que a maioria dos empregos identificados como vulneráveis à IA não são economicamente viáveis para as empresas no momento.

A pesquisa do Laboratório de Ciência da Computação e Inteligência Artificial concluiu que apenas 23% dos salários pagos para trabalhadores poderiam ser realizados por ferramentas de IA.

Ou seja, neste momento, somente essa parcela do mercado custaria menos para os empregadores substituírem por máquinas.

Embora esse panorama possa mudar no futuro, a descoberta sugere que o corte de vagas de emprego por conta da IA deve acontecer em ritmo gradual.

Implicações econômicas

“O que estamos vendo é que, embora haja um grande potencial para a IA substituir tarefas, isso não acontecerá imediatamente”, disse Neil Thompson, um dos autores do estudo do Laboratório de Ciência da Computação e IA do MIT, em entrevista à CNN.

Em meio a diversas manchetes sobre robôs substituindo humanos, ele lembra que é preciso pensar no dinheiro envolvido na implementação desses sistemas.

“Em muitos casos, os seres humanos são a maneira mais econômica e economicamente mais atraente de fazer o trabalho no momento”, acrescentou.

Os pesquisadores analisaram a maioria das vagas de empregos que foram previamente identificadas como “expostas” ou em risco de serem perdidas para a IA, especialmente no campo da visão computacional.

A visão computacional é uma área da inteligência artificial e processamento de imagem que se concentra no desenvolvimento de algoritmos e sistemas que capacitam as máquinas a interpretar o mundo ao seu redor.

Em seguida, eles analisaram os salários pagos aos trabalhadores que atualmente realizam esses trabalhos e calcularam quanto poderia custar a introdução de uma ferramenta automatizada nesse setor.

Um funcionário do varejo, por exemplo, pode ser atualmente responsável por verificar o estoque de uma loja ou garantir que os preços listados esetjam corretos.

Uma máquina treinada em visão computacional poderia fazer esse trabalho, observa Thompson. Mas, atualmente, é mais econômico para a uma empresa pagar um funcionário para fazer essa tarefa.

“Há um motivo pelo qual a IA não está presente em todos os lugares imediatamente”, disse Thompson. “Há uma questão econômica por trás disso.”

Precedentes

Segundo o pesquisador, esse processo remete ao padrão de implementação de outras tecnologias no mercado.

Assim como na transição das economias agrícolas para as manufaturas, no século XVIII, a interrupção dos empregos pela IA provavelmente será mais gradual do que abrupta.

A nova pesquisa da MIT pode clarear o cronograma de elaboração de novas políticas públicas que buscam amenizar os impactos da IA no mercado de trabalho.

“[O estudo] nos dá a capacidade de ser um pouco mais quantitativos em relação à rapidez que esperamos que ocorra o deslocamento de trabalhadores”, disse Thompson.

“E isso permitirá que as pessoas comecem a criar planos muito mais concretos em termos de reciclagem (profissional) que precisa ser feita”, acrescentou.

*Com informações da CNN

Formado em Jornalismo pela UFMG, com passagens pelo jornal Estado de Minas/Portal Uai e produção de vídeos para a Labe Tecnologia. Hoje, é repórter multimída da Itatiaia na área de Tendências Digitais.
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